Pelo Mundo

Blog dos correspondentes da Folha

 

De casa nova mundo afora

Luciana Coelho, de Washington

Leitores estimados, este blog será logo desativado. Mas continuaremos pelo mundo a mandar notícias, comentários, fatos pitorescos e insights para vocês.

Da minha parte, já informo feliz que eu e a Verena estreamos um novo espaço, focado na corrida eleitoral americana. Claro, como não poderia deixar de ser, continuaremos a falar de crise e de cultura/sociedade - mas sempre do ponto de vista dessa disputa tão importante. Visitem e palpitem, que a gente adora um debate: http://eleicaonoseua.blogfolha.uol.com.br/

O que? Seu negócio não é EUA?

Você quer saber por que a China está com tudo? Fabiano Maisonnave conta: http://fabianomaisonnave.blogfolha.uol.com.br/

Para notícias dos hermanos, Sylvia Colombo escreve da incrível Buenos Aires (e adjacências) aqui: http://sylviacolombo.blogfolha.uol.com.br/

Do Oriente Médio, dois mundos distintos -- o olhar certeiro do Marcelo Ninio, em Jerusalém http://marceloninio.blogfolha.uol.com.br/, e os relatos do Samy Adghirni, o único jornalista brasileiro em Teerã: http://samyadghirni.blogfolha.uol.com.br/ 

Quer os meandros da crise europeia, seu impacto e outras notícias do velho mundo? Pois seu homem é o Rodrigo Russo: http://rodrigorusso.blogfolha.uol.com.br/

A todos que nos acompanharam até aqui, muito obrigada. Esperamos poder continuar contando com a leitura de vocês nas nossas andanças.

Escrito por Luciana Coelho às 20h53

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Espanhol: língua do gueto?

VERENA FORNETTI, DE DENVER (COLORADO)

 
Durante a campanha na Flórida para a indicação do partido republicano à eleição presidencial, o ex-governador Mitt Romney desenterrou frase dita pelo ex-presidente da Câmara Newt Gingrich em 2007: 'espanhol é língua do gueto'. O Estado é conhecido pelo alto percentual de cidadãos com origem hispânica.
 
Denver, capital do Colorado, que vota hoje, também tem elevado índice de latino-americanos. São 31,8%. Segundo os dados do Censo, 27,7% das pessoas falam outra língua que não o inglês em casa.
 
É a nona capital que tem maior percentual de pessoas que não falam inglês com a família.  Entre capitais, lideram Providence (Rhode Island), com 48,3% de pessoas que falam outro idioma em casa, e Hartford (Connecticut), com 47,7%.
 
Entre não capitais o percentual sobe: em Miami nada menos que 77,3% usam outra língua para se comunicar nas suas residências.
 
O ex-presidente da Câmara Newt Gingrich apareceu no Colorado só um dia antes do caucus (assembleia de eleitores), que acontece hoje, e por somente algumas horas. Sobre o tema imigração, Gingrich diz não ser favorável à deportação de famílias imigrantes que estão há décadas no país. Em seu site, porém, as propostas para uma reforma são vagas.
 
"Os EUA precisam ser uma nação feita com as leis. Todos que estão no país deveriam estar legalmente. Os EUA também são uma terra de imigrantes e nossas vidas, economia e história foram enriquecidas pela imigração. É preciso ter um plano robusto e atrativo para a imigração legal."

Escrito por Verena Fornetti às 14h51

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Libertário, mas no Colorado não muito

 
Escritório do republicano Ron Paul em Denver
VERENA FORNETTI, DE DENVER (COLORADO)
 
A principal bandeira de Ron Paul é defender as liberdades individuais dos cidadãos. Em Denver, porém, não funciona bem assim: aqui vem de cima a ordem para os voluntários falarem ou não com a mídia.
 
Visitei o comitê na cidade para entrevistar os voluntários, mas os coordenadores da campanha os proibiram de falar. "Não podemos falar com a imprensa", me disse um deles, constrangido.
 
Comecei a conversar com um brasileiro que fazia campanha para o candidato. Com sotaque mineiro, disse que veio para os EUA com dois anos. Depois das primeiras frases interrompeu a história. Um homem se aproximou e o jovem brasileiro me disse que não podia mais falar.
Em Manchester (New Hampshire), onde também estive para reportar o processo eleitoral republicano, nenhum apoiador de Paul se negou a dar entrevista.

Escrito por Verena Fornetti às 21h32

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Estilo Mitt x Estilo Newt

LUCIANA COELHO, DE TAMPA

Não é sem razão que os adversários alfinetam Mitt Romney por seu comportamento um tanto robótico.

Se a festa da vitória de Newt Gingrich na Carolina do Sul foi marcada por uma animada bagunça de conservadores de todas as idades, lugares e classes sociais, a do favorito para conquistar a candidatura republicana na Flórida teve hora para terminar, nome na lista, claque e muita coordenação.

Gingrich escolheu um hotel; Romney preferiu um frio centro de convenções.

A campanha do ex-deputado ignora identificação, credencial e nome da lista _quer mais é lotar o ambiente. A do ex-governador Romney não só exige, como separa as pessoas em grupos.

Jornalistas sem câmera, só na sala anexa.

Enquanto Gingrich derramou sua retórica por meia hora em meio a gritinhos de mulheres com casaco de pele e homens de tênis e boné, Romney fez um discurso mais relaxado do que o de costume, mas ainda assim ensaiado e cronometrado (menos de 10 minutos), para uma plateia "arrumadinha".

É verdade, por outro lado, que os organizadores da campanha de Gingrich têm trabalho para driblar o público diante de seus constantes atrasos, provocados por uma agenda que não raro prevê dois compromissos distantes com intervalos mínimos.

Romney é o oposto. Às 21h, uma hora depois de fechada a última urna da Flórida, a "festa" em Tampa já havia terminado.

Voluntários de campanha recolhiam camisetas que não foram vendidas e cartazes bem impressos com o logo da campanha. Nada das cartolinas com hidrocor que se vê nos comícios rivais

Escrito por Luciana Coelho às 21h26

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Primeiro dia nas Malvinas

SYLVIA COLOMBO, DE STANLEY/PUERTO ARGENTINO

Turistas descem de cruzeiros para tirar fotos de pinguins, os moradores se cumprimentam pelo nome nas ruas. Nos parques, crianças super-agasalhadas brincam ao ar livre. Na fila do correio, viajantes europeus e asiáticos com mochilas coloridas fazem fila para enviar cartões-postais.

 

Nada parece mais distante de Stanley, capital das Falklands/Malvinas, do que a Argentina. A grade da TV paga é toda inglesa, escuta-se a BBC no rádio, o preço das coisas é estabelecido em libras, e quase não se ouve falar castelhano. Uma rápida enquete num café e numa livraria bastou para perceber que nem sequer as reclamações da presidente Cristina Kirchner pela soberania das ilhas chega até aqui. Poucos estavam informados das recentes farpas trocadas por ela e o premiê britânico David Cameron.

 

As primeiras sensações que Stanley passa, porém, é a de uma cidade artificial, quase um parque temático. Um amigo jornalista a comparou ao ambiente do filme “Truman Show”, e ele tem muita razão. Ruas limpinhas, casas e lojas organizadas, parques e sorrisos que parecem de mentira de tão perfeitos, como no filme de Peter Weir.

 

É difícil opinar na disputa de ingleses e argentinos por este arquipélago. Mas, enquanto os argentinos talvez exagerem na dose de um patriotismo dramático, os “kelpers” (habitantes das ilhas) parecem precisar fazer muito esforço para provar que são realmente felizes aqui.  

 

Escrito por Sylvia Colombo às 18h48

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Parece, mas não é


Crédito: Divulgação e Getty Images

VERENA FORNETTI, DE NOVA YORK

O Departamento de Saúde da cidade de Nova York usou imagem adulterada na recém-lançada campanha municipal contra diabetes. Segundo a prefeitura, o anúncio foi criado pela agência americana DCF Advertising.

A propaganda, feita em inglês e em espanhol e disposta em vagões do metrô e outros pontos na cidade, mostra um homem obeso com parte da perna amputada. Exibe a mensagem: "As porções cresceram. Também a diabetes tipo dois, que pode levar a amputações."

O caso foi revelado pelo "New York Times" e abordado por outros jornais americanos hoje. Morten Smidt, autor da foto, disse que na imagem original o homem não tinha a perna amputada (veja acima). Ele relatou ter tirado a foto em 2008 e vendido o trabalho para a agência Image Source, que comercializa material para agências de publicidade.

A prefeitura de Nova York confirma que a imagem foi adulterada. À Folha, informou que não retirará o anúncio das ruas. 

 “Algumas vezes usamos indivíduos que realmente têm determinada doença. Em outras precisamos usar atores. Nós podemos parar de usar atores nos nossos anúncios quando a indústria da alimentação parar de usar atores nos anúncios deles”, disse o porta-voz do Departamento de Saúde John Kelly em e-mail à reportagem.

Escrito por Verena Fornetti às 15h10

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Americanos estão bebendo mais

VERENA FORNETTI, DE NOVA YORK

Estudo elaborado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças do governo americano aponta que os americanos estão aumentando o consumo de álcool.

Segundo o relatório, um em cada seis americanos têm o hábito de beber muito em um curto espaço de tempo _incluídos na classificação estão homens que bebem ao menos cinco doses ou mulheres que ingerem quatro ou mais drinques.

Em Estados como Dakota do Norte, Arizona e Novo México, a média é de 7,8 a 9 doses por bebedeira.

O grupo que mais bebe em cada episódio é o de menor renda, mas a população que ganha mais é a que tem maior fatia de pessoas com hábito de beber muito em uma noite (ou em outro espaço curto de tempo). Quem tem de 18 a 34 anos incorre mais nesse comportamento.

O consumo excessivo de álcool custa 80 mil vidas por ano aos EUA, segundo o documento.

Escrito por Verena Fornetti às 14h29

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Chuck Norris e coletes de lã

 

Luciana Coelho, de Columbia (Carolina do Sul)

Na briga para acabar com o favoritismo de Mitt Romney e vencer na conservadora Carolina do Sul, o ex-presidente da Câmara Newt Gingrich arrumou um cabo eleitoral que não pede voto, ordena.

Sim! Chuck Norris, o ator de filmes de ação/mito da internet, declarou ontem que apoia Newt. (Se você não sabe do que eu estou falando, explicação e memes aqui e aqui). E o candidato agradeceu sarcasticamente: "Ele daria um ótimo secretário de ataque". De sua campanha, veio o tweet: "Norris declara apoio a Newt. Rivais tremem."  

Piadas à parte, Norris _que por muito tempo presidiu a principal associação pró-armas dos EUA, a NRA (American Rifle Association)_ é a mais recente das vozes ultraconseravdoras a colocar suas fichas no ex-deputado. Antes dele vieram a musa do Tea Party e ex-governadora Sarah Palin (embora seu endosso valha só para a Carolina do Sul) e Rick Perry, que abriu mão de sua própria candidatura, à míngua, para apoiar o ex-rival.

Enquanto isso, Rick Santorum tenta outra tática para animar a ala mais à direita: moda. Ontem ele começou a vender, para simpatizantes que contibuam com ao menso US$ 100 para sua campanha, o infame colete de lã que ele enverga faça chuva ou sol.

Interessado em comprar? O link está aqui. "Não deixe as mangas te atrapalharem." "Perfeito para mostrar solidariedade aos verdadeiros conservadores."

Escrito por Luciana Coelho às 13h01

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O tempo urge

VERENA FORNETTI, DE NOVA YORK

O presidente Barack Obama revelou hoje que o governo americano adotará medidas para facilitar a concessão de vistos para brasileiros que queiram visitar os EUA. Embora a questão seja há tempos discutida em diferentes esferas (tanto no Congresso americano quanto no Departamento de Estado), esse anúncio veio após críticas de republicanos sobre a demora que os turistas enfrentam para obter a permissão para entrar no país. E aconteceu na Disney, localizada em um Estado que em pouco mais de uma semana será o principal alvo dos candidatos republicanos à Presidência (o Estado realiza suas primárias no dia 31).

Comercialmente, o Brasil é o principal parceiro internacional da Flórida. É governada pelo conservador Rick Scott, que em outubro do ano passado liderou uma missão empresarial para o país. Após voltar da viagem, Scott disse que estava trabalhando duro para atrair empresários brasileiros para o Estado e criticou Obama por deixar de incentivar investimentos estrangeiros nos EUA. Atualmente, quem pede um visto de negócios pela primeira vez no consulado de São Paulo pode ter que esperar mais de dois meses para conseguir uma entrevista.
 
O pré-candidato republicano Newt Gingrich também ataca a demora: "Um turista brasileiro que queira visitar a Disney, gastar milhões e incentivar a criação de empregos nos EUA não pode esperar quatro meses para conseguir a entrevista que dá direito ao visto."
 
Na semana passada, o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, engrossou o coro. Afirmou que trabalhará com os congressistas americanos para facilitar a obtenção de vistos de turista para cidadãos do Brasil, China e Índia. O brasileiro é o turista que mais gasta dinheiro em Nova York. Bloomberg disse que os entraves para conceder vistos estão custando empregos à cidade.
 

Escrito por Verena Fornetti às 22h46

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O rato mais bonito da cidade


Frank Franklin II/Associated Press

VERENA FORNETTI, DE NOVA YORK

O sindicato dos trabalhadores do metrô de Nova York resolveu fazer um concurso para eleger o rato mais bonito da cidade. Nova York é conhecida pela convivência forçada entre esses roedores e os humanos _ histórias de aparições em apartamentos e restaurantes são bem populares por aqui.

Mais que um concurso de beleza (ou feiura), porém, o "miss rato do metrô" é um protesto. Os funcionários dizem que têm direto de trabalhar em um ambiente livre de ratos e querem chamar a atenção para o problema. Entre os pedidos estão coleta mais frequente de lixo nas estações, lixeiras com sistema de fechamento mais eficiente e ampliação das ações de extermínio.

"Os ratos estão se proliferando no metrô de Nova York e estão mais agressivos. Eles não temem chegar até as plataformas e há relatos de mordidas", diz o sindicato. Para a entidade, as ações do órgão responsável pelo metrô são tímidas. Segundo eles, as autoridades anunciaram medidas em 20 estações, o que representa 4% do total.

O sindicato criou um site para receber as fotos dos bichos. Ali, os internautas podem acessar a galeria e decidir se o ratinho é fofo, feio ou nojento. O link está aqui, mas pense se você quer mesmo clicar. A imagem de abertura do site é bem forte.

p.s.: quem deu a dica sobre o concurso foi Marcia Soman, coordenadora de pauta na editoria Mundo

Escrito por Verena Fornetti às 19h07

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O xerife da mídia

SYLVIA COLOMBO, de Buenos Aires

Quem controla a compra e venda de dólares na Argentina? Guillermo Moreno. Quem define o que pode ou não ser importado? Guillermo Moreno. Quem comanda a intervenção no Indec (o IBGE argentino) e maquia os valores da inflação? Guillermo Moreno. Quem controla o papel-jornal no país? Advinhe! Guillermo Moreno.

O super secretario de Comércio Interior já é muito mais que um ministro. Trata-se do grande xerife da nova gestão de Cristina Kirchner. Cada dia que passa, novas e mais delicadas atribuições lhe são confiadas. Essencialmente, aquelas para as quais Cristina acredita que seja necessária uma mão muito firme.

Ontem foi a vez da regulamentação de uma lei já aprovada pelo Congresso em dezembro, a que considera o papel-jornal um insumo de interesse nacional, e que portanto deve ser capitaneada pelo governo. Com a resolução anunciada, Moreno fixará metas da produção de papel da empresa Papel Prensa (da qual são sócios o governo, o “Clarín” e o “La Nación”) e estabelecerá limites para a importação.

Na semana passada, o governo já tinha aumentado os poderes de Moreno ao deixar a seu cargo a responsabilidade de avaliar cada importação que os argentinos queiram fazer.

Moreno é hoje a figura mais temida pelos opositores. Pelos apoiadores, é visto como um executor exemplar das medidas do “modelo” kirchnerista. É conhecido por sua truculência e seu gestual exagerado, além de rompantes em meio a reuniões ou entrevistas coletivas. Numa ocasião, fez o sinal da degola para o então ministro da Economia, Martin Lousteau, em meio a suas longas desavenças por conta da crise do campo, em 2008.

Moreno está com o kirchnerismo desde o princípio. Durante a gestão de Néstor Kirchner (1950-2010), foi secretário de Comunicações, depois de Interior, posto que manteve durante a primeira gestão de Cristina.

Para a desilusão dos que achavam que, num segundo mandato, Cristina ia ser mais conciliadora, a indicação de Moreno para cada um desses temas estratégicos para o governo parece apontar justamente para o sentido oposto.

Escrito por Sylvia Colombo às 00h58

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Patinação no gelo

VERENA FORNETTI, DE NOVA YORK

Segue foto da pista de patinação no gelo do Central Park. Os preços variam de US$ 10,75 a US$ 16 para adultos e de US$ 5,75 a US$ 6 para crianças. Há ainda taxa para alugar equipamentos. Informações sobre horários, preços e programação aqui.

Escrito por Verena Fornetti às 21h39

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Os cavalos do Central Park

VERENA FORNETTI, DE NOVA YORK

No dia 31 de dezembro, ONGs e defensores dos direitos dos animais fizeram manifestação no Central Park contra as carruagens puxadas por cavalos ao redor do parque. A Folha fez matéria sobre as acusações das entidades e sobre a regulamentação da prefeitura para a atividade (aqui, só para assinantes).

O resumo é que as organizações relatam desmaios e mortes de animais por exaustão. Segundo elas, em seis semanas, de outubro ao início de dezembro, houve seis acidentes. No dia 4 de dezembro, um dos cavalos caiu no asfalto, na rua 59, enquanto transportava quatro passageiros. Charlie, outro animal que puxava carruagens, morreu em outubro enquanto levava turistas para passear.  

"Com a cidade lotada de turistas, do Dia de Ação de Graças, em novembro, até o final do ano os cavalos trabalham sem parar", disse Elizabeth Forel, da Coalizão para Banir Carruagens Puxadas por Cavalos. Eles entregaram um documento ao prefeito para pedir o fim das carruagens.

Cidade menos cheia, voltei hoje ao Central Park para fotografar e filmar os bichos. Os condutores novamente afirmaram que os cavalos são bem tratados e me mostraram os baldes de comida e água que cada um deles leva (foto abaixo). Um mexicano me disse que agora, no inverno, os bichos trabalham menos. Nesta tarde, a sensação térmica era de -3ºC.

Apesar de dizerem que os cavalos têm tratamento adequado, admitem que é um trabalho perigoso, tanto para o homem que guia quanto para o cavalo. "‘Nem todos os carros nos respeitam", disse outro mexicano, que tampouco quis revelar o nome.

De acordo com as leis municipais, os animais não podem trabalhar mais que nove horas por dia e devem descansar no mínimo 15 minutos a cada duas horas. Cerca de 200 cavalos trabalham no Central Park, e 68 carruagens têm permissão para circular na cidade.

A lotação máxima permitida pelos condutores em cada veículo é de quatro pessoas, sem contar o motorista, por um passeio de 20 minutos ao custo de US$ 50. No turno da noite, chegam por volta das 17h e deixam o Central Park à meia-noite. 
 

 

Escrito por Verena Fornetti às 20h23

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Restam cinco

Huntsman, que anuncia nesta segunda sua desistência a favor de Romney, segundo a mídia americana, pode voltar em 2016 (AP)

Luciana Coelho, de Washington

Jon Huntsman, o lanterna entre os candidatos republicanos à Presidência dos EUA que pontuam, vai pular fora da disputa nesta segunda e declarar apoio a Mitt Romney, o favorito. Já vazou na mídia americana. Com isso, sobram cinco na disputa: Romney, Newt Gingrich, Rick Santorum, Ron Paul e Ricky Perry.

Estou contando as horas para Perry desistir. Antes da saída de Huntsman, aliás, este post seria sobre ele.

Como é possível que um sujeito que entrou na disputacomo favorito, em agosto, que não foi alvo de campanha negativa dos rivais (como são Romney e Gingrich), que não tem nenhum grande escândalo até agora para prejudicá-lo (como Herman Cain) despencar desse jeito? Em alguns dos últimos levantamentos nacionais, ele já estava empatando com o quase-liberal Huntsman.

O (de)mérito é todo de Perry. Ele conseguiu se autodetonar. Sozinho, com suas péssimas performances em debates, gafes e letargia ao pensar/falar, mostrou-se um sujeito altamente despreparado e foi atropelado pelos rivais mais hábeis. (Momento "isto é Rick Perry": no último debate, indagados sobre o que estaria fazendo se não estivesse ali num sábado à noite, a maioria dos candidatos respondeu que estaria assistindo às semifinais do futebol com a família, ou conversando, ou lendo. Perry não. Perry estaria treinando tiro.) 

O populista e religioso Rick Santorum, que vinha mais para trás, ganhou fôlego e quase empatou com Romney em Iowa. Neste fim de semana, conquistou algo mais importante ainda, o endosso de cerca de 170 líderes ultraconservadores e evangélicos. Isso deve lhe dar algum gás na Carolina do Sul, o próximo Estado a votar, no sábado.

Parece difícil, a essa altura, alguns dos candidatos realmente derrubar o favoritismo de Romney. Santorum e Gingrich, porém, insistem, na expectativa de conquistar o apoio da ala mais à direita do partido. São ambos teimosos o bastante. E um dos dois, se conseguisse unificar essa base, até poderia representar uma ameaça maior ao ex-governador de Massachusetts. Mas não, eles seguem divididos, o que pulveriza doações e votos (Gingrich, espertamente, tem tentado usar esse discurso para atrair eleitores).

O mais bizarro é que o sujeito com maior caixa de campanha, depois de Romney, vinha sendo Perry. Em setembro ele ainda tinha US$ 17 milhões, enquanto Gingrich e Santorum não chegavam a US$ 2 milhões.

Outro que está bem de caixa e tem bastante apoio é Ron Paul. Mas é improvável que Paul, um sujeito que prega o fim do Banco Central dos EUA e defende o casamento gay porque acha que o Estado não deve se meter na vida conjugal dos cidadãos, conquiste a candidatura. Suas ideias, algumas corretas outras nem tanto, são anticonvencionais demais para um partido que nos últimos anos teve sua agenda sequestrada pela direita mais radical do Tea Party (curiosamente, Rand, um dos cinco filhos de Paul, é um expoente do movimento).

Minha aposta é que Perry não vai além da Carolina do Sul, com Gingrich e Santorum sendo obrigados, então ou não muito depois disso, a decidirem quem continua na disputa e fica com o apoio do outro.

E aí teremos três: Romney, Paul e um conservador mais teimoso à sua escolha, concorrendo até março, quando matematicamente se tornará altamente improvável alcançar o ex-governador de Massachusetts (se ele mantiver o atual ritmo). Parece que com toda a falta de empolgação com Romney e todos os esforços dentro do partido para achar uma alternativa a ele, o discurso da inevitabilidade está colando.

*

Sobre Huntsman, eu o achava um dos sujeitos mais preparados da atual temporada eleitoral. Ex-governador de Utah (com alto índice de aprovação), ex-embaixador na China e uma visão de mundo conservadora sem extremismos (ele não renega o aquecimento global, por exemplo, nem acha que a simulação de afogamento usada para coagir suspeitos de terrorismo em interrogatórios não seja tortura), tinha conquistado o endosso de um jornal respeitável, o "Boston Globe", bem na terra de Romney. Fará falta nos debates.

O Twitter também vai perder suas musas polítcas da atual temporada, as "meninas Huntsman" _as três filhas mais velhas do candidato. Com a conta @Jon2012girls e um humor ácido, tinham mais seguidores do que o pai.

Escrito por Luciana Coelho às 02h46

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Piñera, o pé frio

 

SYLVIA COLOMBO, de Buenos Aires

Nas redes sociais, virou hit. No Google, basta escrever o nome do presidente chileno Sebastián Piñera, que logo aparecerão as palavras “yeta” ou “mufa”. Ambas designam “má sorte”.

A ideia de que Piñera é pé frio espalhou-se tanto na internet que foi noticiada por meios internacionais, e levou o próprio governo a comentar o fato. Nesta semana, depois da repercussão de um texto publicado no site da BBC, o porta-voz da presidência, Andrés Chadwick, disse: “Nos causa simpatia, mas a imagem do presidente é muito mais do que uma coluna aqui outra ali”.

A fama de pé frio é explicada a partir de uma série de tragédias que acompanham o mandato de Piñera. Em março de 2010, com ele já como presidente eleito, o Chile teve um dos terremotos mais graves de sua história, que gerou um tsunami que devastou regiões da costa. Durante sua cerimônia de posse, também houve um terremoto, com ameaça de tsunami, e a cerimônia teve de ser apressada.

Às vésperas de a seleção chilena partir para a Copa, na África, Piñera despediu-se da seleção. Tocou o jogador Humberto Suazo, uma das principais estrelas do time, que estava machucado, e perguntou como estava a lesão. O jogador piorou nas semanas seguintes e mal pôde jogar.

Pouco depois, veio o desastre que deixou aprisionados os 33 mineiros em Copiapó, no norte do país. Ainda em 2010, um incêndio numa penitenciária vitimou 80 pessoas.

O ano seguinte seguiu com desastres. Primeiro, a erupção do vulcão Puyehue, que causou atrasos e cancelamentos de voos e arruinou férias de muita gente que se dirigia ao sul deste país e da Argentina. Depois, um grave acidente de avião no arquipélago de Juan Fernández vitimou 21 pessoas, entre elas um dos apresentadores de TV mais conhecidos do Chile.

Para encerrar, 2012 já começou com drama, um imenso incêndio florestal vitimou já sete bombeiros e causa problemas na relação do governo com a comunidade mapuche da região.

A piada se espalhou pelo Twitter e pelo Facebook, onde a página “Piñera es yeta” reúne os exemplos do pé frio do presidente, piadas, charges e as notícias pelo mundo sobre o tema.

 

Escrito por Sylvia Colombo às 10h20

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