Pelo Mundo

Blog dos correspondentes da Folha

 

"Gaga experience"

CHICAGO

Nova York, para este blog, neste fim de semana, é Chicago. Esta correspondente que vos fala viajou para cobrir o Lollapalooza, um dos maiores festivais de música pop do mundo, que acontece de sexta a domingo.

Escrevo recém-saída do show da Lady Gaga. Como dizem os americanos, é a "Gaga experience". Um impressionante fenômeno de palco. A figura digeriu todas as lições da mestre Madonna. Coloca no palco o que aprendeu de melhor —figurinos, dançarinos, cenários, coreografias— e faz um espetáculo que justifica a fama de maior artista pop da atualidade.

Foi, sem dúvida, o melhor do primeiro dia do Lollapalooza. Mas é claro que eu não consegui ver tudo. Festival é assim, acontecem shows simultâneos, os palcos são distantes, e você certamente perderá algo muito bacana.

Aconteceu isso comigo, hoje (sexta). Estava a caminho do palco em que o The New Pornographers tocava quando ouvi uma gritaria, uma das bandas falando algo sobre a Lady Gaga. Pensei "nossa, todo mundo está muito empolgado para esse show". E passei batido.

Eis que, rechecando os emails do dia, me deparo com a assessoria de imprensa da Semi Precious Weapons contando que Gaga, de fato, estava lá. Ela baixou no show deles e se jogou na plateia, junto com o vocalista, Justin Tranter. Olha só a foto:

Crédito da foto: Bronques (Last Night’s Party)/Divulgação

Acompanhe aqui o live blogging do Lollapalooza, até domingo.

Escrito por Cristina Fibe às 02h47

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Obama em baixa (também) no Oriente Médio

JERUSALÉM

Não foi só em casa que as pesquisas de opinião deram um presente de aniversário amargo ao presidente americano, que completou 49 anos nesta semana. No Oriente Médio a popularidade de Barack Hussein Obama desce numa ladeira ainda mais íngreme.

Se há pouco mais de uma ano Obama causou sensação ao prometer um novo começo nas relações entre os EUA e o mundo muçulmano, num discurso histórico na Universidade do Cairo, hoje o descrédito é evidente.

Os números comprovam isso, como indicou ontem a pesquisa de opinião anual do mundo árabe feita pelo Brookings Institution, de Washington. Foram entrevistadas 3.976 pessoas no Egito, na Arábia Saudita, no Marrocos, na Jordânia, no Líbano e nos Emirados Árabes Unidos entre junho e julho. 

O que mais surpreendeu os pesquisadores foi o desgaste na imagem de Obama: no início de seu governo, entre abril e maio de 2009, 51% dos entrevistados nos seis países expressavam otimismo em relação à política americana no Oriente Médio. Na pesquisa de 2010, somente 16% se disseram otimistas.

Outra mudança dramática revelada pela pesquisa é sobre o programa nuclear iraniano. Em 2009, apenas 29% dos entrevistados responderam que a aquisição de armas nucleares pelo Irã seria algo positivo para o Oriente Médio. Na pesquisa de 2010, essa proporção inchou para 57%.

Segundo o especialista Shibley Telhami, que coordenou a pesquisa, o motivo principal da decepção entre os árabes é a falta de avanço na aspiração dos palestinos de ter um Estado independente. A maioria dos árabes vê o presidente Obama como favorável a Israel.

Mas a situação não é melhor para Obama em Israel, onde pesquisas indicam até 60% de reprovação ao presidente. Ao lado de motivos objetivos, como a pressão americana sobre Israel, há o preconceito. Muitos israelenses não se convencem de que um presidente de nome Hussein e origem muçulmana pode ser bom para o Estado judeu.

Não faltam preconceitos também do outro lado: entre os árabes, é comum a percepção de que o lobby judaico é quem dita as regras no governo americano. Apesar do nome Hussein.

Escrito por Marcelo Ninio às 14h33

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Com a cara na porta

WASHINGTON - Depois de escrever o memorável perfil que resultou na queda e aposentadoria forçada do general Stanley McChrystal, ex-comandante das forças americanas no Afeganistão, o jornalista Michael Hastings teve revogada sua permissão para cobrir a guerra junto aos soldados dos EUA.

O Pentágono disse que Hastings pediu para acompanhar as tropas no mês que vem e recebeu resposta negativa. Mas o repórter afirmou em seu twitter que já tinha tido o pedido aprovado e que os militares voltaram atrás.

Como escreveu Glenn Greenwald no site "Salon", "não é novidade que o processo de levar jornalistas ‘embedded’ (imersos junto às tropas) é usado para distorcer a reportagem sobre a guerra _esse foi o propósito do programa quando ele começou, sob o ex-secretário da Defesa Donald Rumsfeld (2001-2006), após a invasão do Iraque".

Nesse sentido, jornalistas são classificados como "amigáveis", recebendo aprovação para ser "embedded", ou "negativos" _como Hastings.

Douglas Wilson, indicado para novo secretário assistente da Defesa para relações públicas, disse a membros da Comissão de Serviços Armados do Senado que é contra classificar jornalistas como "amigáveis" ou "negativos" na hora de considerar seus pedidos para acompanhar tropas.

Ele ainda foi além, dizendo que, em sua visão, "não devemos jamais ser parte dos esforços para imiscuir os chamados ‘repórteres amigáveis’ com os soldados enquanto bloqueamos os chamados ‘negativos’. Ou seja: o Pentágono nem tenta negar a prática.

Jerome Starkey, do "Times of London", denuncia coisas ainda piores: segundo eles as tropas britânicas só aceitam jornalistas que permitem a censores militares vetar ou aprovar reportagens antes que elas sejam enviadas aos jornais. "Em meus três anos e meio no Afeganistão", disse Starkey, "os britânicos invariavelmente usaram a oportunidade para editorializar as matérias".

 

Escrito por Andrea Murta às 01h29

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Mundo animal delivery

LOS ANGELES

 

Americano é um ser prático por natureza.

 

 

Por isso não me assustei tanto quanto vi a notícia no jornal, no "New York Times", sobre uma empresa que vende camundongos congelados pela internet.

 

A principal clientela é gente que mantém répteis em casa. Como Steve Gilfillan, que tem três filhos e algumas centenas de cobras no porão. 

 

Ele comprou 10.500 ratinhos (congelados) no começo do ano, da empresa MiceDirect, que entregou tudo na porta de sua casa, informa o "NY Times".

 

No site, a empresa americana vende desde ratos filhotes (foto) até adultos, do tamanho de uma nota de um dólar. Há também pintinhos.

 

 

Recentemente, porém, a empresa teve que fazer recall dos “produtos” por causa de uma contaminação de salmonela. Os répteis estavam passando a doença para seus donos. Mais de 400 pessoas ficaram doentes nos EUA e na Grã-Bretanha.

 

Outro caso curioso de animal delivery, dessa vez menos escabroso, saiu ontem no "Wall Street Journal": empresas que alugam cabras para aparar o quintal e se livrar de ervas daninhas.

 

Rent-a-goat.com informa que suas cabras trabalham cerca de 5 a 9 horas por dia. Cada dúzia de animais sai por US$ 250 (R$ 425) a diária.

 

Segundo a empresa, cabras não comem de tudo, mas adoram comer plantas de “espécies invasoras”.

 

A reportagem do WSJ traz um vídeo bacana, de dois minutos, em inglês, e fotos dos animais em ação.

Escrito por Fernanda Ezabella às 01h01

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Barcelona contra a seleção espanhola

BARCELONA

 

 

Menos de um mês depois do título mundial, a relação do Barcelona com a seleção espanhola voltou a desandar. O técnico Vicente del Bosque convocou sete jogadores da equipe para o amistoso com o México, em 11 de agosto —o jogo faz parte da celebração do bicentenário da independência mexicana.

 

Apenas Iniesta foi poupado entre os jogadores do clube que estiveram na Copa. O time catalão foi a base do time campeão do mundo.

 

“A lista nos surpreende e nos dói”, disse o ex-goleiro Zubizarreta, agora diretor esportivo do Barcelona. “É a primeira vez que fazem uma lista com jogadores que estão de férias.” O time está em uma excursão pela Ásia, mas os atletas que estavam na África do Sul ainda não se apresentaram, já que ficaram em atividade até 11 de julho (data da final da Copa).

 

O Barcelona tem um jogo oficial três dias depois do amistoso espanhol: enfrenta o Sevilha pela final da Supercopa da Espanha.

Escrito por Roberto Dias às 10h20

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Chávez e a artilharia na TV

CARACAS

A música de fundo é a de filmes de faroeste. Então, aparece o presidente colombiano, Álvaro Uribe, com nariz de palhaço: “O Show de Uribe”.
O spot é um dos muitos que inundam a principal TV estatal da Venezuela desde que o presidente Hugo Chávez rompeu as relações diplomáticas com Bogotá.
Impressiona a articulação rápida e o dinheiro gasto na empreitada. Os spots usam animação e até mingravações externas, em edições em que se sugere a ligação de Uribe com paramilitares e narcotraficantes.
Numa delas, um homem vestido de macaco pula uma cerca, supostamente fazendo troça sobre as denúncias colombianas sobre a suposta presença guerrilheira na Venezuela.
Há ainda pelo menos dois depoimentos de refugiados colombianos. Falam num estúdio, olhando para a câmera e contam as atrocidades que sofreram no conflito do país vizinho. Os dois spots que vi falavam de crime dos paramilitares, e não citavam as guerrilhas.
Mas é só ir à fronteira do venezuelano Estado de  Táchira com o departamento colombiano de Norte de Santander, como fui em junho, para ver histórias chocantes sobre crimes de “paras” e de guerrilheiros.
Mas a “operação Colômbia” na TV não é nada inédita. O canal normalmente preenche os horários dos "comerciais" spots, inclusive com animações bem feitas, satirizando os oposicionistas. Num deles, os inimigos do presidente dançam “Thriller”.
Oposicionistas insistem para que o CNE, o órgão eleitoral daqui, sancione o governo Chávez por abusar dos meios estatais. A instância nunca aceitou a denúncia.

Escrito por Flávia Marreiro às 20h18

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Piranhas, elas voltaram!

 
 

Piranhas, elas voltaram!

LOS ANGELES

Na onda interminável de remakes e filmes 3D que assola os cinemas dos EUA, estréia no final do mês o remake “Piranha 3D”.

 

E, como uma piranha nunca vem sozinha, vão lançar também o DVD e Blu-Ray do filme original, de 1978, dirigido pelo então desconhecido Joe Dante.

 

O filme vem com comentário do próprio diretor, um pequeno making-of e seis minutos de cenas que ficaram de fora. Na Amazon.com, o DVD sai por US$ 14 (cerca de R$ 23, fora a taxa de entrega).

 

Já no novo longa, as piranhas estão mais do em 3D, estão tão turbinadas que parecem verdadeiros robôs. No elenco, Richard Dreyfuss e outros desconhecidos; a direção é do francês Alexandre Aja.  

 

A história é simples e repleta de loiras de biquíni. Numa cidade tranqüila, que recebe multidões de turistas no verão, um lago é infestado por piranhas pré-históricas, sedentas por carne humana, após um terremoto abrir um abismo submarino.  

 

 

Escrito por Fernanda Ezabella às 17h44

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Telefônica compra o “Orkut espanhol”

BARCELONA

Uma semana depois de assumir o controle da Vivo, a Telefônica anunciou a compra do Tuenti, rede social que é um sucesso na Espanha.

Estima-se que a empresa tenha pago 70 milhões de euros (R$ 163 milhões) por 90% do controle. Com cerca de 8 milhões de usuários, o site compete pela liderança do mercado espanhol de redes sociais com o Facebook.

O Tuenti foi criado em 2006 por Zaryn Dentzel, um estudante americano que conheceu o país em um programa de intercâmbio.

Dentzel explicou que a operação permitirá melhorias no uso do site em celulares, uma tendência muito forte nas redes sociais.

Até agora, o principal acionista do Tuenti era um fundo de investimentos que tinha como um de seus integrantes o grupo Prisa, que publica o jornal “El País”. 

Escrito por Roberto Dias às 15h53

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Segredos de Angelina

 
NOVA YORK

Li ontem a biografia não autorizada da atriz Angelina Jolie, 35, escrita pelo jornalista inglês Andrew Morton. A matéria completa sobre o livro, que acabou de ser lançado nos EUA, você lê na Ilustrada de quinta-feira (5/8).

Enquanto isso, para matar a curiosidade, traduzo aqui alguns trechos de "Angelina - Uma Biografia Não Autorizada". Mas, cuidado: como me alertou a vendedora, "você não deve acreditar em tudo". Morton esconde a maior parte de suas fontes, revela outras —distantes da convivência com a atriz—, e tudo fica parecendo colagem de revista de fofoca.

De resto, não é como se "Angie" escondesse suas experiências com drogas, mulheres e sadomasoquismo. O que Morton faz é "analisar" os "traumas" que atribui à criação da atriz.

ADOLESCÊNCIA

"Por sugestão da mãe, Angie, aos 14, e o seu namorado começaram a morar juntos em sua casa. [...] Para deixar o casal mais confortável, Marcheline abriu mão do quarto principal, com uma enorme cama de casal chinesa, e se mudou para um quarto menor. [...] A lógica da sua mãe era a de que Angie faria sexo de qualquer maneira, então melhor encorajá-la a ficar em casa, onde Marcheline exercia algum controle"

SEXO SELVAGEM

"A imagem de ‘família feliz’ ficou meio abalada quando seguranças correram para a vila [onde Angelina e Brad estavam hospedados] pensando que havia um assassinato acontecendo. Um hóspede teria dito: ‘O barulho parecia o de um animal ferido, algo sendo morto’. Mas eram, assim foi dito, Brad e Angie em sua atividade noturna vigorosa, apesar de, mesmo pelos altos padrões de exibicionismo de Angie, isso parecer um pouco extremo, especialmente com o seu guarda-costas e Maddox por perto"

GRÁVIDA DE GÊMEOS

"Toda vez que visitava um campo de refugiados ou um orfanato ela era tomada por uma enorme culpa por não poder resgatar outra criança da pobreza. [...] A gravidez inesperada colocou um ponto final nesse sonho —naquele momento. Era essa uma das razões, dizem os amigos, pelas quais ela achou difícil, no início, ligar-se emocionalmente a Knox e Vivienne. Depois, ela se enterneceu por Knox, porque ele era mais frágil e lutava para respirar"

BRAD E TARANTINO

"Enquanto ela se recuperava do parto, Brad fumava maconha e bebia cinco garrafas de rosé com Quentin Tarantino, que tentava convencê-lo a fazer ‘Bastardos Inglórios’. No começo da noite, Brad dizia que jamais poderia fazer o papel do caçador de nazistas Aldo Raine. Quando o sol nasceu sobre as vinícolas, os dois bêbados juraram amizade eterna e Pitt assinou para entrar no Exército de Tarantino"

O PAI

"A imagem de família feliz foi ligeiramente estragada por Jon Voight [pai de Angelina]. Em uma festa do Bafta [prêmio da academia britânica] em Hollywood, ele mandou parabéns pelos cinco anos de Maddox e, erroneamente, saudações a Shakira, a cantora latino-americana, em vez de dizer Zahara, a neta que ele ainda não havia conhecido"

SET DE "GAROTA, INTERROMPIDA"

"Angie se fechou no trailer, enchendo as paredes com fotos pornôs, que a faziam sentir-se ‘provocativa, aberta, sensual’, e silenciosamente fumando heroína, de acordo com um amigo próximo entrevistado sob a condição de anonimato. A droga a ajudava a se concentrar durante as longas horas de filmagem, mas também a fazia se sentir segura para embarcar numa performance de alto risco"

Adendo (escrito na quinta, 5/8): a reportagem da Ilustrada pode ser lida aqui; o livro não tem data para chegar ao Brasil, mas há versão para Kindle

Escrito por Cristina Fibe às 15h46

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As agruras dos gordinhos chineses

 

 

PEQUIM

 

Cada vez mais popular na China, um novo programa de emagrecimento exige 20 dias dormindo num acampamento em meio a treinamentos de estilo militar e comida controlada. Mas não se trata de uma opção para qualquer um: só podem entrar crianças e adolescentes até 7 a 14 anos, durante as férias escolares.

É fato que os chineses adoram e mimam muito suas crianças, característica exarcebada pela Política do Filho Único. São comuns casos de chinesinhos que viram o foco principal na vida de nada menos do que seis adultos:dois pais e quatro avós.

Mas, na China hipercapitalista, o excesso de atenção também vira um caminhão de cobranças, levando as crianças à competição. E ser um gordinho ou uma gordinha é um enorme problema de auto-estima aqui e na China, digo, no Brasil.

 Não ouvi nenhum especialista, mas o meu instinto paterno nunca me deixaria colocar o meu filho num lugar desses. É um pouco difícil entender como uma sociedade que tanto protege suas crianças aceite programas assim. 

 

PS: a foto é da agência estatal Xinhua e mostra um acampamento infantil na Província de Liaoning. Há outras, igualmente humilhantes, aqui.

 

Escrito por Fabiano Maisonnave às 09h19

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Iraque: EUA saem, Brasil volta

JERUSALÉM

 

Enquanto os EUA preparam sua retirada militar do Iraque, como indicou ontem o presidente Obama, o Brasil prepara seu retorno diplomático ao país.

Depois de muitas promessas e adiamentos, a embaixada do Brasil no Iraque deve finalmente ser reaberta em outubro. Embora o Itamaraty tenha nomeado um embaixador para o posto em 2006, o experiente diplomata Bernardo de Azevedo Brito, a representação está até hoje instalada em Amã, na Jordânia, devido às precárias condições de segurança em Bagdá.

Mas com o governo Lula chegando ao fim, o chanceler Celso Amorim determinou que a embaixada seja reativada impreterivelmente até o fim do ano.

A decisão tem um ângulo estratégico, já que o Brasil não quer ficar atrás dos cerca de 50 países que já reabriram embaixadas no país. Há também um claro interesse econômico num país que nos anos 80, tempos de Saddam Hussein, era o maior parceiro comercial do Brasil no Oriente Médio.      

Em 1985 o fluxo de comércio entre os dois países chegou a US$ 2,5 bilhões. Caiu drasticamente após a primeira Guerra do Golfo (1991), quando o Brasil fechou sua embaixada no país, e no ano passado já atingiu US$ 1,4 bilhão, segundo a Câmara de Comércio Brasil-Iraque (gráfico abaixo).

A redução radical no número de tropas dos EUA prometida por Obama a partir de setembro não deve ter impacto direto sobre a reabertura da embaixada brasileira, estimam diplomatas, pois a área onde fica a representação já não é guardada por um destacamento do Exército americano.

No fim de agosto militares brasileiros farão uma vistoria da embaixada, cujas obras de renovação estão em fase final, para estabelecer um plano de segurança.  Num sinal de que os riscos são consideráveis, o embaixador Brito deve se mudar sozinho, sem a família. 

Comércio Bilateral Brasil-Iraque/exportações totais + importações totais


Escrito por Marcelo Ninio às 08h06

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Onde estou?

                                                                                                            Park Ji-hwan/France Presse

Messi e Daniel Alves, na chegada a Seul

BARCELONA

O Barcelona foi atrás do dinheiro do mercado asiático em sua pré-temporada. O time desembarcou na Coreia do Sul, onde amanhã faz seu primeiro amistoso depois do Mundial. No domingo, joga na China.

Guardiola não tem ainda os jogadores que fizeram parte da campanha vitoriosa da Espanha. Mas ganhou ontem a companhia de Messi e Daniel Alves, ambos eliminados nas quartas-de-final da Copa.

Tanto o argentino quanto o brasileiro passaram “apuros” já na chegada a Seul, segundo relata na edição de hoje o jornal “El Periódico de Catalunya”. Nenhum deles sabia dizer em qual das Coreias estava: na Sul ou na do Norte.

Messi tentou se sair bem, soltando elogios genéricos ao país anfitrião. Mas confessou: “Não sei qual é uma e qual é outra”, afirmou o argentino, que enfrentou os sul-coreanos há pouco mais de um mês, na Copa (ganhou por 4 a 1).

Daniel Alves também jogou contra coreanos no Mundial, mas ontem não soube dizer se os coreanos ao seu redor ontem eram os mesmos que estavam do outro lado do campo em junho. Não eram: o adversário do Brasil foi a Coreia do Norte, vencida por 2 a 1.

Escrito por Roberto Dias às 05h25

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Hopper ou Marilyn?

 
 

Hopper ou Marilyn?

LOS ANGELES

 

Está nos jornais, nos suplementos imobiliários, a casa onde Dennis Hopper morou, em Venice Beach, até morrer em maio, aos 74 anos. Ela pode ser sua pela "bagatela" de US$ 6,2 milhões (cerca de R$ 10 milhões).

 

 

Trata-se de um "complexo residencial" (foto acima), com uma casa principal e três outras menores desenhadas pelo famoso arquiteto Frank Gehry.

 

Mas, se você não tem tudo isso de grana e não te apetece a figura de Hopper, há também disponível para venda a casa onde Marilyn Monroe morou por seis meses, até morrer, em 1962.

 

O preço é a metade da casa do Hopper. "Só" US$ 3,6 milhões.

 

Dizem que ela adorava a piscina, mas nunca teve tempo de usá-la. A casa, localizada num tranquilo bairro de Los Angeles, tem quatro quartos e três banheiros (foto abaixo).

 

 

Mais fotos da casa estão no site oficial da imobiliária. 

Escrito por Fernanda Ezabella às 20h12

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Artista de várias faces

NOVA YORK

Muitos brasileiros que foram ver Seu Jorge fazer show em Nova York, na última sexta-feira, se decepcionaram. Com saudades de casa, queriam ouvir o samba-rock que fez a fama do cantor no Brasil.

Mas ele veio mostrar "Seu Jorge and Almaz", projeto com o compositor Antonio Pinto e músicos da Nação Zumbi que reúne reinterpretações de canções de que a banda gosta e cuja única unidade é, no novo CD, a voz de Jorge. O disco tem Michael Jackson, Kraftwerk, Jorge Ben, Tim Maia, Noriel Vilela e por aí vai.

A reação de muitos brasileiros ao show, no Terminal 5 (mesma casa onde Smashing Pumpkins e Flaming Lips se apresentaram, na semana passada), é exatamente a que Seu Jorge espera receber no Brasil. Ouvi várias pessoas na plateia enumerando as músicas que ele não tocou e reclamando da falta de hits consagrados na sua voz—embora ele tenha improvisado um pot-pourri no bis, com direito a "Carolina" e "Burguesinha".

Em entrevista à Folha no backstage da apresentação, ele contou que lançou o projeto primeiro nos EUA e no Canadá justamente porque, no Brasil, os fãs e as gravadoras não estão dispostos a deixá-lo "experimentar" a música do jeito que quer.

Em 2007, entrevistei o cantor por causa do lançamento de "América Brasil", patrocinado por uma marca de cachaça. Na época, ele defendeu com a mesma paixão o CD de sambas de fácil digestão e um conhecido projeto anterior, a tal parceria com Ana Carolina, tão criticada quanto lucrativa. Mas, é verdade, ele também dizia querer lançar um CD de blues. O fato é que Seu Jorge, que já morou na rua e hoje fala pelo menos francês e inglês fluentes, não quer ser enquadrado num só papel.

(fotos por Cristina Fibe)

Escrito por Cristina Fibe às 15h45

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O sorriso da Coreia do Norte

 
 PEQUIM

Na quinta-feira, visitei duas galerias dedicadas à arte norte-coreana em Pequim _a reportagem saiu hoje na Ilustrada. Como que para continuar no clima, depois fui almoçar no Maçã Silvestre em Flor, restaurante de propriedade de governo de Kim Jong-il. Sim, o Querido Líder também é empresário gastronômico.

O restaurante fica no segundo andar de um prédio comercial. Grande e despojado, tem cerca de 20 mesas e ao menos quatro salas privadas, onde os clientes podem comer em anonimato e pedir um show de música norte-coreana. 

No salão principal, uma grande TV de tela plana repetia um programa musical, com direito a uma militar tocando guitarra e fazendo trejeitos da primeira fase dos Beatles. Foi aqui que a seleção norte-coreana almoçou na sua escala de volta pra casa, após a eliminação na Copa.

Para certa surpresa minha, os preços são acima da média dos restaurantes chineses. Havia até extravagâncias: um barco de sushi, o item mais caro do cardápio, custava R$ 466. Pelo menos o restaurante aceita cartão Visa.

Só havia mulheres trabalhando. As garçonetes eram todas novas, bonitas e usavam vestidos longos e rabo-de-cavalo. Mas o que mais me chamou a atenção era sorriso. Era um sorriso-padrão, parecido ao dos quadros que havia acabado de ver e tão falso quanto o de um funcionário do McDonald’s, ainda que diferente.

A garçonete estampava esse sorriso todas as vezes que foi à mesa _uma delas, para perguntar o que eu estava anotando no meu bloquinho. Com ajuda do meu intérprete, tentei puxar conversa, mas sem resultado.

Fui entender esse sorriso dias depois, ao ler uma entrevista de Sun Mu, artista dissidente norte-coreano que conseguiu fugir há 12 anos e fez dessa alegria ensaiada o centro do seu trabalho. “Eles te ensinam a sorrir controlado, há uma certa forma de moldar a sua boca.”

Abaixo, o tal sorriso, primeiro feito pelo “pintor oficial” Jin Jian Hue e em seguida no traço de Sun Mu.

PS: como sabia que tirar fotos seria um problema, optei por ter um almoço tranquilo. Nunca me indisponho com quem me serve a comida (muito boa, por sinal).






 

Escrito por Fabiano Maisonnave às 09h24

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Agência investiga venda de leite de filha de vaca clonada

LONDRES

A agência de alimentos do Reino Unido vai investigar se supermercados do país estão vendendo leite de vaca que é fruto do óvulo de um animal clonado.

A informação sobre a venda foi divulgada em reportagem do jornal "International Herald Tribune" no fim de semana.

No início do mês passado, o Parlamento Europeu aprovou o veto a produtos originados de animais clonados. Mas ainda é necessário que os países da União Europeia criem leis sobre o assunto. Há dúvidas sobre se os produtos podem causar danos à saúde dos consumidores.

Já se sabe que os Estados Unidos criaram embriões a partir de óvulos de vacas clonadas e esperma de touros normais. Esses embriões foram levados para o Reino Unido, onde foram implantados em vacas também normais. Segundo as pesquisas, vacas originadas desse processo produzem mais leite que a média.

O que não se sabia é que esse leite era vendido sem identificação.

Escrito por Vaguinaldo Marinheiro às 07h42

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Após veto, touro ganha indulto

                                                                                     David Ramos/Associated Press

O toureiro Miguel Tendero na Monumental, em Barcelona 

BARCELONA

Ele se chama Rayito, tem quatro anos e meio, pesa 535 quilos e acaba de ganhar vida nova: o touro foi indultado no primeiro domingo após o veto às touradas na Catalunha.

Trata-se de algo muito raro. O indulto é concedido quando o animal apresenta uma enorme resistência, lutando muito na arena. Em vez de acabar no açougue, como usualmente, o touro indultado vira semental (reprodutor).

Ontem, na Monumental de Barcelona, Rayito ganhou o apoio do público por suas investidas diante do toureiro Miguel Tendero. O indulto foi sinalizado pela direção da tourada com um lenço laranja.

Jornalistas especializados creditaram a decisão à política Rayito teria sido abatido não fosse o ambiente de polarização sobre o tema nos últimos dias. Os outros cinco touros que entraram na arena ontem não tiveram tanta sorte.

Escrito por Roberto Dias às 03h58

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Shrek bate Angelina nos cinemas do Brasil

LOS ANGELES

Angelina Jolie pode destruir centenas de inimigos em seu novo filme, "Salt", mas falhou em acabar com um muito menos indefeso: um ogro verde malcheiroso chamado Shrek.

"Shrek Para Sempre", última sequência da animação da DreamWorks, desta vez em 3D, continua a reinar no topo das bilheterias brasileiras pelo quarto final de semana seguido.

Já o filme novo de Jolie, no qual ela faz uma agente da CIA acusada de ser uma espiã russa, estreou na sexta-feira no Brasil e foi direto para o segundo lugar, com US$ 2,3 milhões arrecadados em ingressos, informou hoje a Sony.

Segundo a Paramount Pictures, a última aventura de Shrek e Fiona ultrapassou a marca dos US$ 400 milhões em 57 mercados fora da América do Norte, e a maior contribuição veio justamente do Brasil, com US$ 3,3 milhões arrecadados nos últimos três dias, uma queda de 27% em comparação ao final de semana passado.

No total, "Shrek para Sempre" já fez no Brasil US$ 34,9 milhões, cerca de R$ 60 milhões.

Nos EUA, outro filme vem dominando os finais de semana. "A Origem", com Leonardo DiCaprio e Ellen Page, liderou as vendas de ingressos pelo terceiro final de semana seguido, batendo três novas estreias, como a comédia "Um Jantar Para Idiotas", com Steve Carell, que ficou em segundo lugar.

Para ler mais sobre os filmes:

Entrevista com o diretor de "Salt", Phillip Noyce

Entrevistas com diretor e atores que fazem as vozes de "Shrek Para Sempre"

Escrito por Fernanda Ezabella às 16h32

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Serra, Dilma e a bomba

JERUSALÉM
 
Entrou hoje em vigor o tratado internacional contra a produção, o uso e o estoque de bombas de dispersão, uma arma terrível contra populações civis.

Considerada um dos mais importantes avanços no direito internacional humanitário na última década, a Convenção sobre Munições Cluster (termo em inglês do artefato) foi assinada até agora por 108 países, com 38 ratificações. O Brasil, por motivos militares, políticos e comerciais, alguns obscuros, não está entre eles.

Ao ser lançada, uma bomba de dispersão desfaz-se em milhares de artefatos menores, que se espalham por uma área imensa. Muitos explodem bem depois do conflito, atingindo quase sempre civis. 

O argumento do Brasil para ficar fora do tratado é que ele é discriminatório, pois deixa uma brecha para um tipo de munição de dispersão que só países desenvolvidos têm capacidade de produzir. Outro motivo é militar: as Forças armadas brasileiras consideram que as bombas são um importante fator de dissuasão. Mas há também uma justificativa comercial, já que o Brasil é um dos países que produzem o artefato.

Estados Unidos, China, Rússia e Israel, que produzem e tem grandes estoques de munições cluster, também não assinaram o tratado.

Entre os mortos e mutilados quase sempre estão crianças, que manipulam o artefato pensando que são pequenos brinquedos. É o caso da menina libanesa Zahra Hussein Soufan, 12 (foto), que perdeu a mão direita ao pegar uma das milhares de bombas de dispersão lançadas pelo Exército israelense durante a guerra de 2006. 

O acordo que o Brasil se nega a assinar por ser discriminatório busca proteger crianças como Zahra de uma munição que não discrimina entre militares e civis.  Sua entrada em vigor é uma boa oportunidade para introduzir o tema no debate da campanha presidencial: Serra e Dilma, contra ou a favor? 

Zaha Soufan, ferida por uma bomba de dispersão no sul do Líbano (Foto: Alison Locke/The Cluster Munition Coalition) 

 

Escrito por Marcelo Ninio às 08h47

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