Pelo Mundo

Blog dos correspondentes da Folha

 

Puma vale 500 pesos na Argentina

BUENOS AIRES

Enquanto Barcelona caça as pombas, a Província argentina de Río Negro paga 500 pesos para quem matar um puma.

A recompensa, prevista em lei, tenta proteger o rebanho de vacas e ovelhas, que são frequentemente atacados pelos felinos.

Os caçadores usam cães para encontrar os pumas e os matam com arma de fogo ou armadilhas.

Os críticos acusam a Província de incentivar a crueldade e de não buscar alternativas para proteger os rebanhos.

O governo argumenta que nascem 500 pumas por ano na Província e que a caça não irá alterar a população da espécie.

 

Escrito por Gustavo Hennemann às 14h11

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Moreno, o soldado de Cristina

BUENOS AIRES

O núcleo duro do governo de Cristina Kirchner é formado por três bigodudos: o chefe de Gabinete, Aníbal Fernández, o ministro do Planejamento, Julio De Vido, e o ministro do Comércio Interior, Guillermo Moreno.

Além de serem conselheiros da presidente, eles acumulam funções e influenciam em quase todos os ministérios.

O mais temido pelos opositores é Moreno, considerado um personagem em razão das práticas e discursos pouco institucionais.

Uma de suas funções é controlar o aumento de preços no varejo. Quem contraria seus pedidos é convidado ao seu escritório, onde ele apresenta um revólver como argumento, segundo relatos de empresários.

Ontem, Moreno usou uma tática inédita ao interromper uma reunião da empresa Papel Prensa, que pertence ao governo e aos jornais "Clarín" e "La Nación".

Descontente com o que estava sendo decidido, apagou as luzes da sala e chamou seus colaboradores, que trouxeram luvas de boxe e capacetes.

"Mulheres para trás. Ninguém mais entra nem sai daqui. Ninguém vota nada, seja pela razão ou pela força. Eu e meus ‘muchachos’ vamos encarar qualquer coisa", disse Moreno enquanto vestia as luvas.

Apesar das críticas suscitadas, Cristina o considera um soldado indispensável para governar e sempre defendeu Moreno quando ele brigou com outros ministros.

 

Crédito: Agéncia Diarios y Noticias

Ministro Guillermo Moreno e seus "muchachos" em evento do governo

Escrito por Gustavo Hennemann às 15h29

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Caça às pombas

BARCELONA

A Prefeitura de Barcelona contratou a morte de mais 64.700 pombas até o final do próximo ano. As aves são mortas asfixiadas por dióxido de carbono depois de serem capturadas por uma empresa especializada, com redes, como no vídeo abaixo.

Um levantamento indicou que havia até 6.500 pombas por quilômetro quadrado em Barcelona, número considerado muito acima do recomendado por especialistas em questões sanitárias.

Funcionários da prefeitura criticam o hábito de alimentar as pombas na rua. Mas o método que escolheram para matar as aves é criticado por ambientalistas.

Eles dizem que o extermínio não tem funcionado e que seria mais eficiente montar pombódromos ecológicos, nos quais as pombas são “enganadas”: seus ovos são substituídos por ovos falsos, sem que elas fujam a outros locais para se reproduzir. A prefeitura diz que esse método seria muito caro para uma cidade como Barcelona.

Escrito por Roberto Dias às 15h27

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Vem aí o Chinooogle

 


O vice-presidente da agência de notícias estatal Xinhua  Zhou Xisheng (esq.) e o vice-presidente da China Mobile Sha Yuejia, durante cerimônia de anúncio de um novo serviço de busca na internet, em Pequim. A foto, de ontem, é da agência Xinhua. 

 

PEQUIM

 

“A cooperação é um importante passo para servir o partido[Comunista] e o Estado, sempre protegendo o interesse nacional”. Não se trata do anúncio de um acordo militar, mas do discurso do porta-voz da agência de notícias oficial Xinhua Zhou Xisheng, durante o lançamento de um ambicioso projeto para criar um site de busca na internet.

A Xinhua e outra estatal, a China Mobile, a maior empresa de telefonia celular do mundo por número de assinantes, assinaram ontem um acordo para a criação desse novo serviço de busca, que estará disponível em todo o mundo e terá funcionários estrangeiros. Apesar da cerimônia cheia de pompa, nenhuma informação sobre quando o site entrará em funcionamento nem o capital empregado.

Trata-se do terceiro grande investimento estatal no setor de mídia neste ano. Recentemente, a Xinhua anunciou o lançamento de um canal de TV de notícias em inglês. Os planos são ambiciosos: o CNC World planeja estar no ar 24 horas por dia e ter um grande escritório na região do Times Square, em Nova York. 

Para completar, nesta semana um fundo controlado por estatais comprou o controle acionário de três canais de TV na China, antes sob o comando da News Corp, de Rupert “Fox News” Murdoch. A aquisição permite o uso da estrutura de distribuição dos três meios ao exterior.

O governo chinês sempre reclama da cobertura ocidental e vem tendo uma relação difícil com o Google, principal site de busca mundial. As novas investidas sugerem que Pequim espera melhorar a imagem da China gerando e divulgando suas próprias notícias mundo afora. 

O problema é o conceito de jornalismo estatal chinês, muito mais próximo da propaganda, embora haja algum espaço para investigação nos meios oficiais, quase sempre fruto de um grande esforço pessoal de repórteres mais ousados. 

Mas a linha é clara. Ontem, por exemplo, a Xinhua não publicou nada sobre Dorje Tashi, empresário tibetano recém-condenado à prisão perpétua por colaborar com grupos de dissidentes exilados no exterior. 

 

 

Escrito por Fabiano Maisonnave às 06h16

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A volta do Dream Team?

WASHINGTON - Estão pipocando pelos EUA sugestões de que o presidente Barack Obama deveria deixar seu vice, Joe Biden, de escanteio e escolher a ex-rival democrata e atual secretária de Estado, Hillary Clinton, para colega de chapa em 2012.

Um bocado da grita se deve aos tremores (sim, são tremores) quanto à perda de apoio democrata prevista para o voto parlamentar deste ano. Até o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, admitiu recentemente que o partido se arrisca a perder o controle da Câmara dos Representantes (deputados).

Enquanto isso, a popularidade de Obama segue em queda, tendo atingido baixa recorde no começo do mês com 41% de aprovação. E pior, ontem a CNN divulgou que sua desaprovação superou os 50%.

Para contextualizar, Bill Clinton tinha 44% de aprovação na mesma época em 1994 e venceu a reeleição confortavelmente dois anos depois. Mas isso não serve de consolo para os democratas _1994 ficou conhecido com o ano da "Revolução Republicana" depois que os republicanos ganharam controle do Congresso pela primeira vez em quatro décadas.

Os defensores do "golden ticket" acham que Hillary poderia devolver a Obama o apoio decrescente de independentes e da classe trabalhadora fiel aos Clinton. Escolhida chanceler meses depois de perder a candidatura democrata para Obama nas primárias, ela angaria hoje alta popularidade.

A Casa Branca por enquanto descarta a ideia. Biden continua a ser "um parceiro de confiança" do presidente, dizem.

E você, leitor, o que acha?

Escrito por Andrea Murta às 18h50

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A invasão do paraíso

                                                                         Roberto Dias/Folhapress

ILHAS CÍES (ESPANHA)

Nem a crise, nem a água gelada do Atlântico Norte, nem a oferta um tanto reduzida de voos para a Galícia. Neste verão europeu, nada conseguiu evitar a invasão de turistas às Ilhas Cíes, uma reserva natural que fica diante da cidade de Vigo.

O número de visitantes alcança números nunca vistos. Nos últimos dias, o limite diário de 2.000 pessoas tem sido frequentemente alcançado, o que significa que são longas as filas para a viagem de barco (são 40 minutos) e que são muitos os que voltam para casa sem chegar até as ilhas.

As empresas que cuidam da rota turística pediram à administração da reserva que aumentasse o limite. Não conseguiram e ainda tiveram que escutar que se pretende reduzir o número, pois começam a pipocar casos de bebedeira na areia um problema e tanto num lugar em que não há nenhuma lata de lixo pública e onde cada pessoa é responsável por levar de volta ao continente tudo o que deve ser jogado fora.

As Cíes já encabeçaram uma lista do jornal inglês “The Guardian” sobre as dez melhores praias do mundo. São, também, um símbolo de recuperação ambiental, depois da catástrofe com o petroleiro Prestige há oito anos. Por causa do acidente com a plataforma da BP no Golfo do México, uma equipe da BBC foi às ilhas espanholas neste mês para mostrar o trabalho feito na área.

Os administradores da ilha creditam o aumento do turismo às melhorias de infra-estrutura e de transporte. Um empurrãozinho dos céus decerto também houve: não só pelo tempo excepcionalmente bom que tem feito, como pelo fato de 2010 ser ano “xacobeo” (santo) na Galícia, o que aumenta a perenigração a Santiago de Compostela.

O vídeo abaixo, que é parte de um documentário da TVE, dá uma boa ideia do que são as ilhas:

Escrito por Roberto Dias às 14h41

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Hola, se escucha?

BUENOS AIRES

As ligações não se completam ou são interrompidas sem motivos e as mensagens de texto podem não chegar. Essas são dificuldades cotidianas para quem se comunica por celular na Argentina.

Os problemas aparecem principalmente na comunicação entre telefones que não são da mesma operadora.

Para especialistas, a dificuldade surge da saturação no espectro da telefonia celular, o que compromete o serviço sobretudo no centro de Buenos Aires.

Ao todo, as quatro empresas que dividem o mercado somam 50 milhões de clientes. Ou seja, 10 milhões a mais do que o total da população do país.

A mau funcionamento do serviço pode explicar o fenômeno. Conheço muitos argentinos que têm celulares de companhias diferentes para evitar chamadas perdidas ou a falta de sinal.

Escrito por Gustavo Hennemann às 12h05

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Bebês com seios provocam novo pânico antileite na China

 

 

PEQUIM

A China está vivendo mais um pânico envolvendo o leite produzido no país. Desta vez, três bebês com idades entre 4 e 15 meses na Província de Hubei desenvolveram seios e apresentam um alto grau de hormônios femininos. Em comum, todos consumiram leite em pó produzido pela empresa Syruta International.

Os casos, sob investigação pelo Ministério da Saúde, vazaram para a imprensa chinesa, provocando temores por toda a China. Em Pequim, segundo relata o jornal “Global Times”, do Partido Comunista, os pais têm de chegar antes das 5h da madrugada ao principal hospital infantil para a criança ser atendida no mesmo dia. Ontem à tarde, havia 300 pais em fila. Sob vigilância de seguranças, eles tinham de colocar uma mão sobre o ombro de quem estava à frente para evitar furões.

A empresa nega que tenha misturado hormônios ou qualquer outra substância proibida em seus produtos, que continuam à venda nos supermercados. Também promete processar o canal de TV que noticiou a história primeiro. 

Muito do pânico se deve ao escândalo do leite contaminado de 2008, quando seis crianças morreram e cerca de 290 mil adoeceram após uma fábrica ter misturado intencionalmente água e melamina, substância usada na produção de plásticos. No ano passado, duas pessoas foram condenadas e executadas pelo crime.

Além do medo do leite, há também desconfiança na transparência do governo, que só revelou o problema de contaminação após o final das Olimpíadas, embora já houvesse informações sobre o problema pouco antes do seu início.

 

Escrito por Fabiano Maisonnave às 12h17

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Só se for o CQC!

BUENOS AIRES

Desde que chegaram ao poder na Argentina, em 2003, Néstor e Cristina Kirchner mantêm distância da imprensa, principalmente dos meios críticos, como os jornais "Clarín" e "La Nación".

Os repórteres têm de se contentar com raras informações "off the record" de autoridades do governo e frequentemente são criticados pelo casal presidencial e por seus ministros.

Os únicos que têm acesso a Cristina hoje são os integrantes do CQC, exibido na Argentina há 15 anos. Quase todas as semanas, o programa humorístico consegue declarações inéditas da presidente.

Ontem, por exemplo, ela criticou a oposição e revelou a opinião que tem sobre projetos que tramitam no Congresso do país.

Previsivelmente, os repórteres tentam manter a harmonia e fazem perguntas pouco constrangedoras.

O bom relacionamento com os Kirchner rendem gracinhas de Cristina e parte do bolo publicitário do governo. O programa exibe toda a semana uma propaganda do Ministério da Saúde que dá dicas para prevenir a gripe suína.

 

Escrito por Gustavo Hennemann às 18h30

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E os controladores piscaram

BARCELONA
 
Depois de muita ameaça, os controladores de voo da Espanha decidiram não fazer greve neste mês, o mais importante das férias na Europa.

Deu certo, por ora, a estratégia do governo de pressioná-los para que tomassem uma posição: se quisessem mesmo fazer greve, como havia sido decidido em uma votação da categoria, que a anunciassem logo, com data e horário (a lei exige dez dias de antecipação).

O pior cenário, do ponto de vista do governo e das operadoras de turismo, era o da incerteza. Muita gente podia desistir das férias na Espanha por não saber se conseguiria voltar para casa.

O governo jogou com a pressão da opinião pública: o discurso de que os controladores ganham exageradamente galgou páginas na mídia espanhola. Os salários se devem sobretudo às horas extras. Como parte do pacote fiscal, o governo quer mudar a forma de pagamento dos controladores, aumentando o número de horas “normais” e reduzindo as extras. Na prática, o salário médio dos controladores deve baixar 40%, para cerca de R$ 38 mil mensais.

Escrito por Roberto Dias às 16h03

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Por que um miskito usa a amarelinha?

PEQUIM

 

Este post deveria ter saído antes do jogo contra a Holanda. Mas, como ainda não havia o blog, que o gancho agora seja a estreia do Brasil da era Mano, hoje à noite. E é também uma lembrança de que a seleção de Dunga decepcionou pessoas em lugares do mundo que muito brasileiros nem sequer ouviram falar.

As fotos abaixo foram tiradas durante viagens de trabalho. Como é tudo sempre às pressas, não dá tempo de perguntar o que levou essas pessoas a tirar do guarda-roupa a camisa da seleção naquele dia específico. Por que usá-la para enfrentar o Exército nas ruas de Honduras, passear com amigos em Bancoc, pescar lagosta na empobrecida da Nicarágua (o índio miskito do título) ou montar um acampamento contra o "império brasileiro" na Amazônia boliviana?


4.jul.2009. Tegucigalpa, Honduras.

O "quatro" é o símbolo dos simpatizantes do presidente deposto Manuel Zelaya para convocar uma Constituinte. A foto foi tirada na famosa marcha rumo ao aeroporto, onde confrontos entre manifestantes e militares deixaram dois mortos.

6.dez.2009. Bilwi, Nicarágua.

A cidade de Bilwi fica no Caribe nicaraguense e é a região mais pobre do país mais pobre da América Central. O rapaz é da etnia miskito e sobrevive pescando lagostas praticamente sem nenhum tipo de proteção. Centenas de colegas seus já ficaram paralíticos ou morreram em acidentes de trabalho.

 

20.ago.2009. Chapare, Bolívia.

Estes cocaleiros faziam a segurança do presidente Lula durante visita ao berço político de Evo Morales. Lá, polícia uniformizada não entra.


8.mai.2010. Pequim, China.

Já em clima de Copa, este estudante trazia a camisa com o mascote da seleção brasileira, versão mangá. A foto é na rua Wangfujing, famosa pelos espetinhos de escorpião.

24.mai.2010. Bancoc, Tailândia.

Jovem dentro do metrô na capital tailandesa, três dias depois de distúrbios que incendiaram parte da zona comercial da cidade.


10.jul.2009. San José, Costa Rica. 

No centro da capital da Costa Rica, um simpatizante do Brasil participa da festa da comunidade colombiana no país. 

17.jan.2010. Leoganes, Haiti

Morador da cidade mais destruída pelo terremoto, cinco dias depois da tragédia. O Haiti é, de longe, o país que mais usa a camisa amarela.


17.jan.2010. Porto Príncipe, Haiti

Moto cruza a cidade devastada. A máscara era muito usada para evitar o pó e o cheiro dos corpos em decomposição.

17.jan.2010. Cité Soleil, Haiti.

Moradora da zona mais pobre da capital haitiana, uma imensa favela de 200 mil habitantes. A tragédia ali só não foi maior porque os barracos, de tão precários, não provocaram muitas mortes ao desabarem com o terremoto.


 

 


17.ago.2009. Pando, região amazônica da Bolívia.

Essa é a minha favorita. Trata-se de um acampamento de índios quechuas trazidos desde Cochabamba por Morales à isolada fronteira com o Acre. O objetivo declarado do governo é "fazer pátria" contra os brasileiros que ocupam ilegalmente a faixa de fronteira do país vizinho. Camuflagem para infiltração?

 

 

 

Escrito por Fabiano Maisonnave às 06h20

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Anne Rice, o papa e "True Blood"

LOS ANGELES 

 

Em 1998, a famosa escritora de romances vampirescos Anne Rice deixou de lado o ateísmo e voltou a frequentar missas. Nos anos 2000, escreveu até um livro sobre Jesus, "Cristo, o Senhor: Fuga do Egito".

 

Mas, agora, a autora de “Entrevista com o Vampiro” mudou de idéia. Desistiu da Igreja Católica, desistiu de ser cristã. E anunciou o fato na sua página do Facebook.

 

Criada em família cristã, a escritora americana (acima, em foto da Reuters de 10 anos atrás) deixa a igreja pela segunda vez. A primeira foi nos anos 60, quando passou a estudar obras de Sartre, Camus e o existencialismo.

 

“Em nome de Cristo, eu me recuso a ser anti-gay. Eu me recuso a ser anti-feminista. Eu me recuso a ser anti-controle de natalidade. Eu me recuso a ser anti-democrata. Eu me recuso a ser anti-ciência. Eu me recuso a ser anti-vida”, escreveu na sua página na internet.

 

Em entrevista ao “Los Angeles Times” no final de semana, ela falou que a gota d´água foi a notícia de um bispo em Phoenix (EUA) que condenou publicamente uma freira após ela ter autorizado um aborto que salvou a vida de uma mulher num hospital da cidade. Ela também ficou consternada quando o papa Bento 16 foi à África e condenou o uso de camisinha.

 

Para quem espera que ela volte a escrever sobre vampiros, pode esquecer.

 

“Estou planejando uma nova série sobre imortais, é uma ideia para um thriller metafísico”, disse Rice ao jornal. “Há muitas ideias maravilhosas quando se quer escrever sobre imortais. Vampiros foram a minha primeira tentativa, e eu não vou voltar a eles.”

 

Mas a escritora de 68 anos assiste a seriados vampirescos como "True Blood" e ainda faz comentários bastante pontuais em seu site pessoal.

 

"Como Bill e Jessica entraram na casa de Sookie sem serem convidados por ela? Para mim, Joe Manganiello, que faz Alcide, é a melhor novidade do elenco", escreveu há duas horas.

Escrito por Fernanda Ezabella às 03h27

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Convidado especial

WASHINGTON - No último sábado o embaixador brasileiro em Washington, Mauro Vieira, e o capitão Flávio Augusto Viana Rocha receberam jornalistas e outros convidados para uma recepção no navio-escola "Brasil", que estava atracado no porto de Baltimore, a uma hora daqui.

Lá pelo final da festa, quem aparece? Arturo Valenzuela, número um do Departamento de Estado dos EUA para a América Latina.

Vieira e Valenzuela conversaram em particular por um bom tempo. Nenhum dos dois comentou nada com a imprensa, mas consideradas as rusgas recentes entre seus governos _de disputas comerciais a sanções ao Irã_, a lista de assuntos que eles tem a tratar não para de crescer.

Valenzuela, aliás, se tornou rapidamente conhecido entre correspondentes em Washington por revelar muito pouco. A sensação geral é a de que ele prefere ficar bem mais distante dos jornais do que seu antecessor no cargo, o atual embaixador americano no Brasil, Thomas Shannon.

Escrito por Andrea Murta às 19h51

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Calor, calor e mais calor

BARCELONA

Na Rússia, as imagens de Moscou imersa na fumaça dos incêndios só não impressionam mais que as notícias de centenas de mortos ao dia.

No norte de Portugal, seguidos focos de incêndio mobilizam os bombeiros ao largo das últimas três semanas.

Na Espanha, o calor do verão europeu não matou tanta gente nem queimou tantos hectares, mas tem incomodado bastante também.

Muita gente reclama que não consegue dormir. Outros, que não têm como trabalhar.  É o caso dos funcionários da montadora Seat, em Barcelona, que provocaram seguidas paradas de protesto contra a temperatura na fábrica. Problema semelhante ocorreu em outras empresas, como os Correios.

O mês de julho registrou temperaturas até quatro graus mais altas que a média entre 1971 e 2000, segundo o mapa elaborado pela agência meteorológica espanhola.

 
Agosto não dá pinta de refresco. Ontem, Sevilha registrou mínima de 26,6 graus, o recorde do verão andaluz. O mapa de máximas para amanhã é um mosaico em tons de vermelho.

 

Uma previsão feita pela agência meteorológica espanhola prevê que a temperatura subirá entre três e seis graus no país ao longo deste século. Dessa forma, Madri teria um clima parecido ao da Sevilha atual. E Sevilha ficaria com jeito de Tucson, a cidade construída no meio do deserto no Arizona.

Escrito por Roberto Dias às 14h57

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Noivinhos no chão

 
 

Noivinhos no chão

LOS ANGELES

 

Depois de imposta a legalização do casamento gay na Califórnia, uma escultura de um museu de Los Angeles foi vandalizada. Trata-se de um bolo de mentirinha com dois noivos em miniatura no topo.

 

Os noivinhos foram esmagados, e o trabalho foi mandado de volta à artista, a americana Susan Tibbles, que irá consertá-lo. Como não há câmeras no Craft and Folk Art Museum, o vândalo permanecerá desconhecido.

 

Na semana passada, um juiz federal considerou ilegal um decreto que proibia casamentos entre pessoas do mesmo sexo na Califórnia, aprovado em plebiscito pelos californianos em 2008. Segundo pesquisas recentes, 51% da população do Estado aprova casamentos gays.

 

“É uma ação negativa, mas de certa forma é um elogio ao trabalho de Susan. Com qual freqüência você vê um trabalho em exposição que leva alguém a ter tamanha reação?”, disse Eilen R. Stewart, assessora do museu, ao jornal “Los Angeles Times”.

Escrito por Fernanda Ezabella às 14h06

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Argentinos vencem a Copa gay

BUENOS AIRES

Apesar de não contar com o carisma de Diego Maradona nem com o talento de Lionel Messi, a seleção argentina de futebol gay conquistou neste fim de semana o título do Mundial homossexual, realizado na Alemanha.

Com oito vitórias e um empate, o time fez uma campanha de provocar inveja na seleção de Maradona, eliminada nas quartas de final na Copa da África do Sul.

Na final, a seleção gay venceu o time da cidade americana de Seattle por 3 a 0. Outra equipe argentina, Los Dogos, que venceu o torneio em 2007, ficou com o terceiro lugar.

Os jogadores aproveitaram o evento para comemorar a lei que autorizou, no mês passado, o casamento homossexual no país.

Divulgação

Equipe festejou o título e a nova lei que permite o casamento gay na Argentina

 

Escrito por Gustavo Hennemann às 11h00

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De provérbios chineses e desastres


 Zhouqu, centro-norte da China, devastada por um mar de lama no domingo. Foto da agência estatal Xinhua


 

PEQUIM

Já que todo mundo que escreve sobre a China adora citar um provérbio, entro na onda com este aqui, registrado desde o século 18, para falar sobre a tragédia do fim de semana: “Um homem com barba é respeitado. O mesmo se aplica às montanhas. Uma montanha sem árvores e com solo pobre dolorosamente se parece a um homem tosco e sem dinheiro.”

Trezentos anos depois, um acúmulo de ressentimento transformou esses párias gigantes em ameaças à sociedade. Na madrugada de domingo, empurrada pelas chuvas, parte das montanhas devastadas da Província de Gansu caiu sobre a cidade de Zhouqu, soterrando cerca de 1.300 pessoas.

Essa região da China é uma das várias que sofrem há anos com a exploração desordenada de seus recursos. Em 2006, o documentarista americano Brent E. Huffman, de passagem por lá, escreveu: 

“Parece um exagero e eu gostaria que fosse, mas nós não vimos nenhuma árvore enquanto dirigimos entre as Províncias de Sichuan e Gansu [Zhouqu está perto da divisa]. Trinta anos de crescimento industrial implacável não apenas destruíram as florestas como também contaminou rios, lagos, terras e céus. Você pode dirigir por dias sem ver o céu.”

Esse problema, claro, não é exclusividade da China. Em 2004, uma avalanche de terra e água desceu de uma montanha e matou cerca de 3.000 em Gonaives, no Haiti.

Mas até no país mais pobre das Américas o problema é oficialmente discutido. Lá, o premiê da época, Gérard Latortue, relacionou diretamente o desastre ao desflorestamento. No Brasil, tragédias como a do início do ano no Rio provocam discussões semelhantes.

Na China, a culpa, segundo a imprensa oficial e os porta-vozes do governo, é apenas das “chuvas torrenciais”, e todo o esforço midiático chapa-branca se resume em mostrar a “resposta rápida” do governo, como esta galeria de fotos da agência Xinhua.

Parafraseando aquela máxima brasileira sobre as leis: na China, há provérbios que pegam e outros que não pegam.


 

Escrito por Fabiano Maisonnave às 07h47

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Posse na Colômbia: notas sobre a moda dos Santos

O mundo da moda na Colômbia esperava ansioso até a revelação: a elegante nova primeira-dama, Maria Clemencia, escolheu finalmente uma estilista do país para a cerimônia de posse. Rumoreava-se que ela talvez usasse uma marca europeia.
Mas ela e a filha, Maria Antonia, 19, usaram vestidos de colombianos. Primeiro, o bom site Lasillavacía (www.lasillavacia.com) cravava que os modelos das duas eram de Olga Piedrahita, como escrevi mais cedo. No entanto, o da primeira-dama foi feito por Isabel Henao, um modelo reto champanhe, abaixo do joelho, com gola assimétrica alta, e detalhes roxos (o sapato também era roxo). Estava bonito.
Já Maria Antonia usou um bege acobreado, na altura do joelho, quase infantil, talvez com mais volume que o necessário. Induzia a um contraste não favorável com a sua longelínea mãe. Esse era de Piedrahita.
Que acham? Concordam?

O presidente Juan Manuel Santos vestiu terno da marca colombiano Arturo Calle. Não vi detalhe sobre a origem das roupas de Martín, 21, e Estebán, 19, que completam a família.

Bom, falemos mais dos Santos. É uma das famílias mais tradicionais do país, que já havia emplacado um presidente (1938-1942). Tem grande poderio midiático: são fundadores e seguem acionistas do maior jornal do país, o “El Tiempo”.
Parte do afã de vencer a resistência ao elitismo do sobrenome, a família de Juan Manuel Santos participou bastante da campanha. Inclusive Maria Antonia, a preferida pública e confessa do novo presidente, que estuda neurociências nos EUA.
Quando os vi, o primeiro que me chamou atenção foram os sapatos de Maria Clemencia, designer gráfica de formação. Ela estava de saltinho, o que a deixava mais alta que o marido _como ontem, aliás.
Ponto para ela, pensei, por ignorar a antiquada regra _o homem é o mais alto_ e se livrar da prisão das sapatilhas. Em geral, a primeira dama se veste sem afetação, mas sempre valorizando o corpo magro com peças ajustadas.
Os meninos, Martín, que estuda Direito, e Estaban, no ensino médio, por sua vez, poderiam perfeitamente integrar uma boyband colombiana, os Santos Brothers. Os dois seguem o que no Brasil chamaríamos de uma moda playboy mesclada com alguma informação. Martín tenta atualizar o pai na matéria. Ele me confirmou que, sim, era verdade o que uma revista local publicara: ele proibiu o novo presidente de usar jeans claro.

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Posse na Colômbia 2: Santos à moda de Evo

Na manhã de ontem, Juan Manuel Santos viajou até a Sierra Nevada, no oeste colombiano, para receber as benções dos quatro povos indígenas da região. Os “mamos”, como se chamam os chefes espirituais dos grupos de lá, pediram ao novo presidente que proteja o ambiente _tema delicado numas das regiões que vivem o boom da mineração no país. Eu estive lá há 15 dias, a convite do governo Álvaro Uribe _voltaremos ao tema nos próximos dias.
Uma característica interessante desta região é que há plantação de folha de coca legal _sim, não é só na Bolívia e no Peru que se masca coca por tradição ancestral e é permitido por lei. A escala desse tipo de consumo na Colômbia, obviamente, é bem menor e aqui, pelo menos no caso dos indígenas, mais controlado.
O certo é que Evo Morales e Rafael Correa,  do Equador, parecem ter lançado a tendência da “posse indígena”. Sem o entrar no mérito de compromissos de fundo ou não, certamente pega bem com ambientalistas e ONGs internacionais.

Esteban, 16, Martín, 21 e Juan Manuel Santos na Sierra Nevada

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Posse na Colômbia 3: Uribe embrujador

De longe, o agora ex-presidente Álvaro Uribe parece um professor detalhista, impaciente e sem muito apelo. Mas vendo-o aqui na Colômbia, vestido com chapéu de palha e poncho com as cores do país, cantando saudade do rancho em Antioquia e explicando tudo com diminutivos dá para ver claramente porque ele é a versão conservadora de seu inimigo Hugo Chávez.
Ele se foi, a contragosto, do poder. Mas resta a Juan Manuel Santos ouvir a cada dois por três: como será agora, que ele não tem carisma? Estamos órfãos do pai fazendeiro?
Nem na posse o novo presidente escapou. O presidente do Congresso, Armando Benedetti, tocou no tema, e falou que Santos "sentirá o rigor e o risco de parecer diferente do carisma que enfetiça de Uribe".

 

Escrito por Flávia Marreiro às 11h16

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Álvaro Fagundes Andrea Murta correspondente-colaboradora em Washington


Fabiano Maisonnave Fabiano Maisonnave correspondente na China


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