Pelo Mundo

Blog dos correspondentes da Folha

 

A entrevista com Maradona

 
LUCAS FERRAZ
DE BUENOS AIRES
 
Entrevistar Diego Armando Maradona talvez seja o objetivo de boa parte dos jornalistas estrangeiros na Argentina. De longe, é o personagem mais interessante do país.

Craque incontestável, problemático dentro e fora de campo, envolvido em brigas e drogas, técnico de futebol, militante político, enfim, é um dos mitos argentinos como Carlos Gardel e Evita Perón.

Desde o início do ano comecei a fazer contatos para tentar encontrá-lo. Vizinhos do condomínio onde ele vive, em Ezeiza, nos arredores de Buenos Aires, dizem que o ex-jogador pouco sai de casa, onde costuma fazer festas, sempre com os amigos. Só anda de carro. E está sumido até dos restaurantes preferidos da capital.

Há alguns meses, a entrevista pareceu ainda mais difícil: Maradona se mudou para Dubai, onde passa a maior parte do tempo, como técnico do inexpressivo Al Wasl.

Mas uma das ex-mulheres de Maradona me apresentou a um amigo dele, que prometeu intermediar o pedido. Foi simpático, apesar da marra, e disse que iria conversar com "El Diez". Comentou que o encontro poderia ser marcado durante a próxima visita do amigo à Argentina. 

Na semana passada, antes ainda da mãe do ex-jogador morrer, o amigo me telefonou. Tinha a resposta: "Ok, ele topou falar, te dará a entrevista. Mas como se trata de um jornal estrangeiro, o  valor é de US$ 10 mil. O pagamento deve ser à vista, tudo bem?".

Escrito por Lucas Ferraz às 22h50

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Eutanásia política

E agora, Obama? (foto: AP)
Luciana Coelho, de WASHINGTON

Flertando com o fracasso desde o início, a supercomissão bipartidária do Congresso dos EUA incumbida de tirar o país do vermelho acaba de entregar seu atestado de óbito, dois dias antes de expirar o prazo.

A missão do grupo, estabelecida por lei em agosto, era desenhar um pacote que cortasse US$ 1,2 trilhão (quase meio Brasil) do Orçamento americano nos próximos dez anos. Falhou.

A pressa em anunciar o fracasso se justifica: o prazo estabelecido pela lei era quarta-feira, véspera de feriado de Ação de Graças aqui.

Se o fiasco fosse revelado só na última hora, os EUA, em pleno feriado, não teriam como responder às prováveis reações dos mercados internacionais ante a inépcia de seus políticos de chegar a um acordo.

Ao menos, a temida Standard&Poor's, agência de classificação de risco que rebaixou a nota dos EUA em agosto, já deu seu veredicto: a imperícia dos legisladores exposta hoje é a mesma mostrada há três meses e meio; não há razão, portanto, para rebaixar novamente o país.

Menos mau?

Nem tanto. A questão, agora, é o que acontecerá com o caixa do país, onde a dívida já supera o PIB e ultrapassa a barreira dos US$ 15 trilhões (sete Brasis, ou o próprio PIB americano).

A mesma lei que criou a supercomissão determina que, no caso de fracasso, US$ 1,2 trilhão sejam "sequestrados" automaticamente do Orçamento federal em dez anos, a partir de 2013.

Mas impõe apenas que seja descontada a economia com juros e que o restante dos cortes seja repartido igualmente entre gastos de Defesa e gastos domésticos não-obrigatórios. Não há muito mais que isso.

Estima-se, porém, que alvos preferenciais sejam programas de educação, benefícios para veteranos de guerra, dinheiro para investimento em infraestrutura e programas de treinamento, o que deve pesar também sobre a já lenta recuperação do mercado de trabalho do país, onde o índice de desemprego paira nos 9%.

As lacunas também deram margem a uma intensa briga de lobbies nos bastidores, que deve perdurar por todo o ano eleitoral, com prejuízo para todos os envolvidos.

E como era de se esperar, a troca de acusações, já acirrada, começa a ferver.

*

Se a S&P acha que é apenas mais do mesmo, eu estou chocada com o ponto a que as coisa chegaram. Polarização é uma coisa, isso já parece masoquismo.

*

Alguém aí pronto para um presidente Gingrich? Os leitores desse blog (e eu) dificilmente lembramos do ex-presidente do Congresso. Agora, porém, ele é o líder do momento entre os pré-candidatos republicanos.

Escrito por Luciana Coelho às 21h48

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