Trump quer mediar um debate dia 27, mas falta quórum (Reuters)

Luciana Coelho, de Washington

O megainvestidor imobiliário e apresentador de reality show Donald Trump quer manter todas as suas opções em aberto.

Em entrevista ontem ao Wolf Blitzer, na CNN, voltou atrás em sua posição anterior sobre não disputar a Presidência dos EUA e disse que pode, sim, ser candidato. E não pelo Partido Republicano, mas como independente. "Se o partido escolher um candidato que não me agrade, pode ser que eu concorra. Estou mantendo as opções em aberto", disse ele.

Mas o que Trump estava fazendo mesmo era jogar. No momento em que a disputa republicana avança para se tornar uma competição entre Mitt Romney e Newt Gingrich, com os demais pré-candidatos tentando subir seu passe para depois poder negociar seu apoio, Trump praticamente chancelou a candidatura do segundo, dizendo que ficou "muito impressionado" com a performance do ex-presidente da Câmara no último mês.

Sobre Romney, disse apenas que o respeitava bastante. E lamentou ter abandonado a ideia de concorrer pelo partido tão cedo, afirmando que, a seu ver, teria boas chances no atual momento.

Pode até ser. Fato é que se o conservador Trump se lançar candidato, quem se beneficia é Obama. O apresentador de "O Aprendiz" não se qualifica na "terceira via" em que se qualificaria, por exemplo, o prefeito nova-iorquino Michael Bloomberg. Ele está mais à direita, e é difícil imaginar que um eleitor de Obama, ou um independente mais liberal na frente social, optasse por seu nome em vez de escolher o atual presidente ou simplesmente ficar em casa, dado o momento-desencanto com a atual eleição.

Trump estaria fadado, na melhor das hipóteses, a repetir o papel do milionário conservador-libertário Ross Perot (do tempo em que era possível haver conservadores pró-aborto), que disputou a Presidência em 1992 e 1996. Da primeira vez, Perot, bancando a campanha essencialmente com o próprio bolso, conseguiu 18% dos votos e foi considerado co-responsável pela vitória do democrata Bill Clinton.

Trump tem a seu favor um nome muito conhecido e a imagem de empresário de sucesso (embora sua experiência com política seja zero, e sua enlouquecida campanha para provar que Obama não nasceu nos EUA não tenha sido uma amostra muito promissora). Por outro lado, a aposta seria alta demais e arriscada demais para um negociante tão bem-sucedido.

Em última análise, a decisão vai refletir o que o empresário/showman tem de maior: a esperteza ou a vaidade?