Pelo Mundo

Blog dos correspondentes da Folha

 

Sarah Palin, por Julianne Moore

Luciana Coelho, de Washington

A HBO finalmente liberou ontem o primeiro trailer do filme "Game Change" (algo como "virada do jogo"), que toma como base o livro dos jornalistas Mark Halperin (da "Time") e John Heilemann (da "New York"), lançado no Brasil neste ano - apressados podem correr para o final do post.

Mas diferentemente do livro, um impressionante exercício de reportagem que aborda toda a corrida presidencial de 2008, o filme focará apenas no lado republicano _a campanha do senador John McCain. E a personagem central é Sarah Palin, sua vice, vivida pela premiada Julianne Moore (o também premiado Ed Harris faz McCain).

Eu conversei com Halperin no mês passado sobre o livro e a decisão de focar apenas sobre um dos lados ao transpô-lo às telas. Halperin se disse satisfeito com o resultado, já que em duas horas de filme não seria possível tratar de Obama, Hillary Clinton e dos demais pré-candidatos republicanos com igual detalhe.

E a obra de Halperin, um desbocado colunista que já foi suspenso por chamar Obama de "cuzão" no ar, impressiona exatamente pelo detalhismo, pela forma minuciosa com que diálogos e bastidores foram recuperados com os próprios personagens principais e trazidos ao público.

Perguntei se a midiática Palin, mulher, jovem, bonita e carismática, era seu personagem eleitoral preferido. Ele diz que não tem favorito. O diretor Jay Roach, porém, tem clara predileção pela ex-governadora do Alasca (como personagem; como política, eu não sei).

Na internet, fãs de Palin já disseram que a escolha de Julianne Moore para o papel é ruim _que a ex-governadora é mais bonita, mais jovem etc. Eu discordo. Acho Moore uma das atrizes mais talentosas dessa geração, além de linda (lembrem-se dela em "Direito de Amar" _o bizarro nome que "A Single Man" ganhou no Brasil; "Minhas Mães e Meu Pai"; "Ensaio sobre a Cegueira"; "Fim de Caso" e os incríveis "Magnólia" e "Boogie Nights").

A própria Palin também parece ter gostado. Disse estar "ansiosa" para ver o resultado e elogiou seu alter ego em celuloide. Lembremos que ela curte uma mídia extra e leva tudo na esportiva, a ponto de chegar até a fazer uma aparição no Saturday Night Live junto com a genial Tina Fey, que a imitava (não muito elogiosamente, aliás).

O filme estreia em março, quando possivelmente o candidato republicano vai estar claro. Deve ajudar a cotação de Palin e de seu apoio a subirem. De qualquer forma, estou curiosíssima. O teaser me animou, e achei a caracterização impressionante.

Com vocês, o trailer. Que tal Julianne de Sarah?

Escrito por Luciana Coelho às 16h46

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Prestar ou não condolências?

 

Norte-coreanas choram a morte do Querido Líder (Kyodo via AP)

Luciana Coelho, de Washington

Morto Kim Jong-il, os americanos _analistas, jornalistas e políticos_ entraram no debate esperado, sobre qual o futuro de uma Coreia do Norte virtualmente isolada do mundo, com uma bomba nuclear e governada agora, ao que parece, por um pós-adolescente cujo apoio pela estrutura de poder pré-existente é incerta.

Pararam, porém, em algo que parece bem mais prosaico: o governo americano deve prestar condolências a Kim Jong-un, o filho-herdeiro do ditador que dominou a Coreia do Norte nos últimos 17 anos?

A pergunta foi repetida aqui em looping em canais noticiosos, jornais, análises e conversas em think-tanks. A resposta mais corrente foi "não".

"Pode não ser uma boa ideia para Obama expressar condolências. Isso pode ser interpretado da forma errada", disse em conversa com jornalistas da qual eu participei Scott Snyder, diretor do programa sobre política EUA-Coreia no reputado Center on Foreign Relations. Para ele, é preciso dosar bem o nível de "abertura" a mostrar para Pyongyang.

Snyder e outros analistas que falaram ontem sobre o tema, como o pré-candidato republicano Jon Huntsman (que foi embaixador na China), lembraram que a posição frágil em que Kim filho se encontra pode levá-lo a tomar medidas de demonstração de força nos próximos dias (como testar mísseis).

O melhor para os EUA seria, então, esperar para ver onde estão pisando.

Por outro lado, o próprio analista do CFR lembrou que a morte do ditador "apresenta oportunidades", e "há preocupação se os EUA e as potências ocidentais não deveriam se manifestar e sinalizar novas oportunidades de política externa para a Coreia do Norte, indicando que algumas mudanças seriam bem vindas".

Nada disso deve ser feito, porém, antes de a Coreia do Sul - principal aliado americano na região - se manifestar. E os sul-coreanos nada fizeram até agora. Condolências vieram apenas da China e da Rússia.

"A questão da condolência é muito séria, mas é ainda mais sensível na Coreia do Sul. O governo sul-coreano não soltou um comunicado hoje. Acho improvável que os EUA furem a liderança sul-coreana ao tentar lidar com isso", afirmou Paul Stare, especialista em prevenção de conflitos e diretor do Centro para Ação Preventiva, na mesma conversa do CFR.

A Casa Branca está costurado milimetricamente sua declarações sobre a questão, e silenciou sobre a transição em si. Por meio do porta-voz Jay Carney, o governo disse ser cedo para avaliar se a porta deve ficar aberta ou fechada e que o governo americano está em conversas constantes com Japão, China, Rússia e Coreia do Sul (todos eles, além da própria Coreia do Norte, parte das negociações em seis partes para tentar pôr fim ao programa nuclear coreano).

A ênfase tem recaído na necessidade de "preservar a tranquilidade" na Península Coreana, tecnicamente ainda em guerra apesar da trégua assinada em 1953.

A coisa mais perto de condolências coube à secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que está em viagem no Japão e reafirmou que seu país está "profundamente preocupado" com a população norte-coreana. E afirmou que os EUA esperavam "uma melhora das relações" com o povo norte-coreano.

Notem que nas duas frases ela evitou se dirigir diretamente ao governo em Pyongyang, seja ele qual for, e evocou a população _linguajar que os EUA costumam reservar, por exemplo, ao Irã.

Mesmo a oposição pisa em ovos para se posicionar. O próprio Newt Gingrich, hoje primeiro colocado nas pesquisas de opinião entre os republicanos e que já se descreveu como um "falcão meia-boca" disse não ter ideia se o novo governo se mostrará mais aberto ou mais fechado.

A questão das condolências e dos sinais a emitir é especialmente complicada porque os EUA já tinham programado, para esta semana, anunciar a doação de 240 mil toneladas em alimentos à Coreia do Norte. Não há informações precisas sobre a situação de fome no país, mas sabe-se que há dificuldades correntes de produção e distribuição de alimentos à população, que eles dependem do programa de alimentação da ONU, e que essa produção foi especialmente castigada por enchentes e um inverno mais longo neste ano.

Esboços desse acordo haviam sido revelados no final de semana pela agência Associated Press. Seria a primeira doação em três anos e o primeiro resultado concreto de meses de negociação envolvendo também Pequim e Seul.

Agora, o futuro da doação é incerto, embora a maioria dos analistas afirme que Washington deva seguir adiante com ela.

Sobre o funeral em si, Obama não precisará tomar nenhuma decisão _ele será fechado para estrangeiros.

Escrito por Luciana Coelho às 20h31

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Natal sem parafernália

SYLVIA COLOMBO, de Buenos Aires

Passar o Natal longe de São Paulo significa, entre outras coisas, só perceber que o Natal chegou mesmo muito em cima da hora. E não ali por mediados de outubro.

Eu, por exemplo, só nos últimos dias é que me dei conta de que o Natal é mesmo na semana que vem.

Isso porque, diferentemente de São Paulo, Buenos Aires não é invadida pelo furor natalino de se colocar luzes em todas as árvores, papais-noéis em todas as vitrines, bonecos de imenso mau gosto na porta de bancos e lojas e assim por diante.

A histeria consumista do Natal paulistano também não encontra eco na capital argentina. Visitei um shopping no último sábado porque precisava fazer uma compra de última hora e, pensando na dor-de-cabeça que é entrar num lugar desses em SP em dezembro, me preparei para o pior. Nada. Os corredores não estavam entulhados de gente nem havia dificuldade de ser atendido.

Cidade que já ganha de São Paulo em vários quesitos relacionados à beleza e à qualidade de vida, agora noto que Buenos Aires também não exerce a tirania de impor a agonia e a fúria consumista do Natal a seus habitantes com dois meses de antecedência. Por aqui, cada um festeja o Natal (ou não festeja) à sua maneira.

Escrito por Sylvia Colombo às 13h03

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