É assim um caucus (na Roosevelt High School, em Des Moines)

Luciana Coelho, de Des Moines (Iowa)

Mitt Romney venceu, Rick Santorum surpreendeu em segundo lugar e Ron Paul ficou em terceiro. Depois de quatro horas e meia de tensa apuração e espera, foi esse o resultado do caucus em Iowa - a assembleia eleitoral pela qual o Estado escolhe os candidatos a presidente (neste ano, só o do Partido Republicano), já que Obama concorrerá a reeleição.

O mais interessante, porém, não é ver quem venceu, já que Iowa dá apenas 28 dos mais de 2.400 delegados votantes na Convenção Republicana, e eles são distribuídos proporcionalmente aos votos recebidos pelos candidatos. Ou seja, como Romney e Santorum tiveram uma diferença de apenas nove votos, o percentual não variou, e ambos devem receber sete delegados (Paul deve ficar com cinco ou seis).

É ver quem perdeu.

Perder em Iowa _perder feio em Iowa_ pode ser fatal para quem tinha pretensões maiores. E é isso que aconteceu ontem com Michele Bachmann e Rick Perry.

Bachmann, a única candidata diretamente ligada ao Tea Party, chegou a liderar na pré-campanha em Iowa, seu Estado natal. Ontem recebeu pouco mais de 5% dos votos, e seu chefe de campanha disse à Fox News ter dúvidas de se ela pode continuar ou não.

Já o governador do Texas já disse ele mesmo ontem que agora pretende reavaliar sua candidatura após ficar com apenas 10% dos votos. Lançado em agosto, Perry chegou a liderar por um mês a disputa, causando sensação entre os rivais. Uma série de péssimas performances nos debates, porém, foi solapando sua candidatura, até ele cair para quarto lugar _posição que agora é ameaçada por Santorum.

Ontem eu tive a chance de assistir mais um discurso de Santorum (havia visto outro em novembro) e foi quase uma situação de vergonha alheia. Falando a cerca de 150 funcionários da seguradora Nationwide, sua figura parecia apequenada pela frieza da plateia. O discurso perdia o ritmo _assim como acontece com ele nos debates. Mesmo as piadas, seu forte, saíam sem graça. E ninguém se comoveu com sua história de vida, contada pela enésima vez, nem pela história de um veterano de guerra que ele disse ser eleitor seu.

Perry de fato parece estar perdendo o fôlego, e tem um problema grave de fadiga: quanto mais tarde ele fala, pior o discurso. Em novembro, ele falou pela manhã, e se saiu bem. Ontem, cansado, parecia não ter forças para concluir os raciocínios. Essa fadiga parece, agora, ter se transportado para a campanha.

Bob Jindal, o governador da Louisiana e visto como vice em uma hipotética chapa encabeçada por Perry, falou no mesmo evento e atraiu muito mais palmas. E advinhe falando do que? Do Brasil. Falou da compra dos jatos da Embraer pelo governo dos EUA e da queda da tarifa do etanol (ambos de forma crítica, claro). Aproveitou, claro, para culpar Obama por ‘perder‘ para o Brasil o que poderiam ser empregos americanos. E foi ovacionado.