O ônibus de campanha leva Bachmann para a entrevista onde ela anunciou a desistência, dia 4, em Des Moines

Luciana Coelho, de Washington

O Gallup soltou ontem uma pesquisa interessante: o número de eleitores que se declaram "independentes" _não filiados a nenhum dos partidos_ acaba de atingir um pico, 40%.

Declaram-se democratas 31%, e republicanos, 27%. Isso porque nos EUA, onde o voto não é obrigatório, você pode se declarar eleitor de um partido na hora de se registrar. Não te impede de votar no outro, mas serve, por exemplo, para votar nas prévias eleitorais que acontecem agora, quando não há registro instantâneo.

Depois de um ano em que o Congresso mais parou e reclamou do que trabalhou, que os EUA foram rebaixados por uma agência de classificação de risco, que a crise econômica jogou o país em uma crise de auto estima pesada, os índices de aprovação dos legisladores também estão no chão. Nada mais natural que a ojeriza aos dois partidos. E é esse eleitor, cansado e sem a menor obrigação de ir à urna dia 6 de novembro, que Obama e seu rival tentarão motivar.

Do lado do presidente, a coisa vai mal. Em Iowa, ouvi eleitores democratas ferrenhos reclamarem de suas promessas não cumpridas, de sua lentidão em negociar, de sua falta de pulso sobre o Congresso. Ouvi até mesmo gente que disse que, se houvesse alguma chance de o libertário Ron Paul conquistar a candidatura republicana, trocaria o voto no presidente pelo no deputado do Texas.

Mas do lado republicano a situação não é melhor. Outro levantamento do Gallup, este divulgado ontem, mostra que entre os aspirantes à Casa Branca no partido só Mitt Romney é visto como "aceitável" pela maioria dos conservadores do partido e também pelos centristas e os independentes que pendem à direita _mesmo assim, sem grande margem: apenas 59%. Já Newt Gingrich e Rick Santorum, o novo nome do momento, ficam apenas na nota de corte entre os mais conservadores (51% e 50%) e não passam entre os centristas e liberais (36% e 35%).

Rick Perry _que, minha aposta particular, desiste depois da Carolina do Sul_ faz feio de qualquer jeito, com 41% dos conservadores e 29% dos demais. E Paul e o ex-embaixador Jon Huntsman enfrentam uma situação bizarra, na qual são mais bem-vistos pelo centro do que pela direita do partido (mas, ainda assim, não superam 35%, no caso de Paul, e 25%, no caso de Huntsman).

A pesquisa da CBS mostra algo ainda pior: 58% dos republicanos dizem que preferiam outro candidato, alguém diferente dos seis nomes que ainda pontuam na disputa. Não sei se é um indício de que um maluco como Donald Trump, ou se um ex-potencial candidato do partido Sarah Palin, como alguns leitores deste blog gostam de lembrar, ou mesmo Chris Christie teriam alguma chance correndo na terceira raia. O sistema partidário americano torna muito difícil um candidato independente incluir seu nome na cédula nos 50 Estados, deixando sua eleição quase inviável.

Arrisco que isso significa simplesmente que a maior parte dessa gente não vai se abalar para votar em novembro. Principalmente se a retórica maniqueísta for mantida, se o Congresso continuar trabalhando tão mal como trabalhou no ano passado e se os republicanos continuarem se digladiando.

Já se o candidato republicano for escolhido depressa _digamos, na Flórida, dia 31 agora, ou no máximo até a superterça, em 6 de março, quando 11 Estado votam_ ainda há tempo de o partido se unir e tentar reverter a situação.

Por ora, porém, só Michele Bachmann ouviu as urnas e desistiu.