Pelo Mundo

Blog dos correspondentes da Folha

 

Chuck Norris e coletes de lã

 

Luciana Coelho, de Columbia (Carolina do Sul)

Na briga para acabar com o favoritismo de Mitt Romney e vencer na conservadora Carolina do Sul, o ex-presidente da Câmara Newt Gingrich arrumou um cabo eleitoral que não pede voto, ordena.

Sim! Chuck Norris, o ator de filmes de ação/mito da internet, declarou ontem que apoia Newt. (Se você não sabe do que eu estou falando, explicação e memes aqui e aqui). E o candidato agradeceu sarcasticamente: "Ele daria um ótimo secretário de ataque". De sua campanha, veio o tweet: "Norris declara apoio a Newt. Rivais tremem."  

Piadas à parte, Norris _que por muito tempo presidiu a principal associação pró-armas dos EUA, a NRA (American Rifle Association)_ é a mais recente das vozes ultraconseravdoras a colocar suas fichas no ex-deputado. Antes dele vieram a musa do Tea Party e ex-governadora Sarah Palin (embora seu endosso valha só para a Carolina do Sul) e Rick Perry, que abriu mão de sua própria candidatura, à míngua, para apoiar o ex-rival.

Enquanto isso, Rick Santorum tenta outra tática para animar a ala mais à direita: moda. Ontem ele começou a vender, para simpatizantes que contibuam com ao menso US$ 100 para sua campanha, o infame colete de lã que ele enverga faça chuva ou sol.

Interessado em comprar? O link está aqui. "Não deixe as mangas te atrapalharem." "Perfeito para mostrar solidariedade aos verdadeiros conservadores."

Escrito por Luciana Coelho às 13h01

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O tempo urge

VERENA FORNETTI, DE NOVA YORK

O presidente Barack Obama revelou hoje que o governo americano adotará medidas para facilitar a concessão de vistos para brasileiros que queiram visitar os EUA. Embora a questão seja há tempos discutida em diferentes esferas (tanto no Congresso americano quanto no Departamento de Estado), esse anúncio veio após críticas de republicanos sobre a demora que os turistas enfrentam para obter a permissão para entrar no país. E aconteceu na Disney, localizada em um Estado que em pouco mais de uma semana será o principal alvo dos candidatos republicanos à Presidência (o Estado realiza suas primárias no dia 31).

Comercialmente, o Brasil é o principal parceiro internacional da Flórida. É governada pelo conservador Rick Scott, que em outubro do ano passado liderou uma missão empresarial para o país. Após voltar da viagem, Scott disse que estava trabalhando duro para atrair empresários brasileiros para o Estado e criticou Obama por deixar de incentivar investimentos estrangeiros nos EUA. Atualmente, quem pede um visto de negócios pela primeira vez no consulado de São Paulo pode ter que esperar mais de dois meses para conseguir uma entrevista.
 
O pré-candidato republicano Newt Gingrich também ataca a demora: "Um turista brasileiro que queira visitar a Disney, gastar milhões e incentivar a criação de empregos nos EUA não pode esperar quatro meses para conseguir a entrevista que dá direito ao visto."
 
Na semana passada, o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, engrossou o coro. Afirmou que trabalhará com os congressistas americanos para facilitar a obtenção de vistos de turista para cidadãos do Brasil, China e Índia. O brasileiro é o turista que mais gasta dinheiro em Nova York. Bloomberg disse que os entraves para conceder vistos estão custando empregos à cidade.
 

Escrito por Verena Fornetti às 22h46

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O rato mais bonito da cidade


Frank Franklin II/Associated Press

VERENA FORNETTI, DE NOVA YORK

O sindicato dos trabalhadores do metrô de Nova York resolveu fazer um concurso para eleger o rato mais bonito da cidade. Nova York é conhecida pela convivência forçada entre esses roedores e os humanos _ histórias de aparições em apartamentos e restaurantes são bem populares por aqui.

Mais que um concurso de beleza (ou feiura), porém, o "miss rato do metrô" é um protesto. Os funcionários dizem que têm direto de trabalhar em um ambiente livre de ratos e querem chamar a atenção para o problema. Entre os pedidos estão coleta mais frequente de lixo nas estações, lixeiras com sistema de fechamento mais eficiente e ampliação das ações de extermínio.

"Os ratos estão se proliferando no metrô de Nova York e estão mais agressivos. Eles não temem chegar até as plataformas e há relatos de mordidas", diz o sindicato. Para a entidade, as ações do órgão responsável pelo metrô são tímidas. Segundo eles, as autoridades anunciaram medidas em 20 estações, o que representa 4% do total.

O sindicato criou um site para receber as fotos dos bichos. Ali, os internautas podem acessar a galeria e decidir se o ratinho é fofo, feio ou nojento. O link está aqui, mas pense se você quer mesmo clicar. A imagem de abertura do site é bem forte.

p.s.: quem deu a dica sobre o concurso foi Marcia Soman, coordenadora de pauta na editoria Mundo

Escrito por Verena Fornetti às 19h07

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O xerife da mídia

SYLVIA COLOMBO, de Buenos Aires

Quem controla a compra e venda de dólares na Argentina? Guillermo Moreno. Quem define o que pode ou não ser importado? Guillermo Moreno. Quem comanda a intervenção no Indec (o IBGE argentino) e maquia os valores da inflação? Guillermo Moreno. Quem controla o papel-jornal no país? Advinhe! Guillermo Moreno.

O super secretario de Comércio Interior já é muito mais que um ministro. Trata-se do grande xerife da nova gestão de Cristina Kirchner. Cada dia que passa, novas e mais delicadas atribuições lhe são confiadas. Essencialmente, aquelas para as quais Cristina acredita que seja necessária uma mão muito firme.

Ontem foi a vez da regulamentação de uma lei já aprovada pelo Congresso em dezembro, a que considera o papel-jornal um insumo de interesse nacional, e que portanto deve ser capitaneada pelo governo. Com a resolução anunciada, Moreno fixará metas da produção de papel da empresa Papel Prensa (da qual são sócios o governo, o “Clarín” e o “La Nación”) e estabelecerá limites para a importação.

Na semana passada, o governo já tinha aumentado os poderes de Moreno ao deixar a seu cargo a responsabilidade de avaliar cada importação que os argentinos queiram fazer.

Moreno é hoje a figura mais temida pelos opositores. Pelos apoiadores, é visto como um executor exemplar das medidas do “modelo” kirchnerista. É conhecido por sua truculência e seu gestual exagerado, além de rompantes em meio a reuniões ou entrevistas coletivas. Numa ocasião, fez o sinal da degola para o então ministro da Economia, Martin Lousteau, em meio a suas longas desavenças por conta da crise do campo, em 2008.

Moreno está com o kirchnerismo desde o princípio. Durante a gestão de Néstor Kirchner (1950-2010), foi secretário de Comunicações, depois de Interior, posto que manteve durante a primeira gestão de Cristina.

Para a desilusão dos que achavam que, num segundo mandato, Cristina ia ser mais conciliadora, a indicação de Moreno para cada um desses temas estratégicos para o governo parece apontar justamente para o sentido oposto.

Escrito por Sylvia Colombo às 00h58

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Patinação no gelo

VERENA FORNETTI, DE NOVA YORK

Segue foto da pista de patinação no gelo do Central Park. Os preços variam de US$ 10,75 a US$ 16 para adultos e de US$ 5,75 a US$ 6 para crianças. Há ainda taxa para alugar equipamentos. Informações sobre horários, preços e programação aqui.

Escrito por Verena Fornetti às 21h39

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Os cavalos do Central Park

VERENA FORNETTI, DE NOVA YORK

No dia 31 de dezembro, ONGs e defensores dos direitos dos animais fizeram manifestação no Central Park contra as carruagens puxadas por cavalos ao redor do parque. A Folha fez matéria sobre as acusações das entidades e sobre a regulamentação da prefeitura para a atividade (aqui, só para assinantes).

O resumo é que as organizações relatam desmaios e mortes de animais por exaustão. Segundo elas, em seis semanas, de outubro ao início de dezembro, houve seis acidentes. No dia 4 de dezembro, um dos cavalos caiu no asfalto, na rua 59, enquanto transportava quatro passageiros. Charlie, outro animal que puxava carruagens, morreu em outubro enquanto levava turistas para passear.  

"Com a cidade lotada de turistas, do Dia de Ação de Graças, em novembro, até o final do ano os cavalos trabalham sem parar", disse Elizabeth Forel, da Coalizão para Banir Carruagens Puxadas por Cavalos. Eles entregaram um documento ao prefeito para pedir o fim das carruagens.

Cidade menos cheia, voltei hoje ao Central Park para fotografar e filmar os bichos. Os condutores novamente afirmaram que os cavalos são bem tratados e me mostraram os baldes de comida e água que cada um deles leva (foto abaixo). Um mexicano me disse que agora, no inverno, os bichos trabalham menos. Nesta tarde, a sensação térmica era de -3ºC.

Apesar de dizerem que os cavalos têm tratamento adequado, admitem que é um trabalho perigoso, tanto para o homem que guia quanto para o cavalo. "‘Nem todos os carros nos respeitam", disse outro mexicano, que tampouco quis revelar o nome.

De acordo com as leis municipais, os animais não podem trabalhar mais que nove horas por dia e devem descansar no mínimo 15 minutos a cada duas horas. Cerca de 200 cavalos trabalham no Central Park, e 68 carruagens têm permissão para circular na cidade.

A lotação máxima permitida pelos condutores em cada veículo é de quatro pessoas, sem contar o motorista, por um passeio de 20 minutos ao custo de US$ 50. No turno da noite, chegam por volta das 17h e deixam o Central Park à meia-noite. 
 

 

Escrito por Verena Fornetti às 20h23

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Restam cinco

Huntsman, que anuncia nesta segunda sua desistência a favor de Romney, segundo a mídia americana, pode voltar em 2016 (AP)

Luciana Coelho, de Washington

Jon Huntsman, o lanterna entre os candidatos republicanos à Presidência dos EUA que pontuam, vai pular fora da disputa nesta segunda e declarar apoio a Mitt Romney, o favorito. Já vazou na mídia americana. Com isso, sobram cinco na disputa: Romney, Newt Gingrich, Rick Santorum, Ron Paul e Ricky Perry.

Estou contando as horas para Perry desistir. Antes da saída de Huntsman, aliás, este post seria sobre ele.

Como é possível que um sujeito que entrou na disputacomo favorito, em agosto, que não foi alvo de campanha negativa dos rivais (como são Romney e Gingrich), que não tem nenhum grande escândalo até agora para prejudicá-lo (como Herman Cain) despencar desse jeito? Em alguns dos últimos levantamentos nacionais, ele já estava empatando com o quase-liberal Huntsman.

O (de)mérito é todo de Perry. Ele conseguiu se autodetonar. Sozinho, com suas péssimas performances em debates, gafes e letargia ao pensar/falar, mostrou-se um sujeito altamente despreparado e foi atropelado pelos rivais mais hábeis. (Momento "isto é Rick Perry": no último debate, indagados sobre o que estaria fazendo se não estivesse ali num sábado à noite, a maioria dos candidatos respondeu que estaria assistindo às semifinais do futebol com a família, ou conversando, ou lendo. Perry não. Perry estaria treinando tiro.) 

O populista e religioso Rick Santorum, que vinha mais para trás, ganhou fôlego e quase empatou com Romney em Iowa. Neste fim de semana, conquistou algo mais importante ainda, o endosso de cerca de 170 líderes ultraconservadores e evangélicos. Isso deve lhe dar algum gás na Carolina do Sul, o próximo Estado a votar, no sábado.

Parece difícil, a essa altura, alguns dos candidatos realmente derrubar o favoritismo de Romney. Santorum e Gingrich, porém, insistem, na expectativa de conquistar o apoio da ala mais à direita do partido. São ambos teimosos o bastante. E um dos dois, se conseguisse unificar essa base, até poderia representar uma ameaça maior ao ex-governador de Massachusetts. Mas não, eles seguem divididos, o que pulveriza doações e votos (Gingrich, espertamente, tem tentado usar esse discurso para atrair eleitores).

O mais bizarro é que o sujeito com maior caixa de campanha, depois de Romney, vinha sendo Perry. Em setembro ele ainda tinha US$ 17 milhões, enquanto Gingrich e Santorum não chegavam a US$ 2 milhões.

Outro que está bem de caixa e tem bastante apoio é Ron Paul. Mas é improvável que Paul, um sujeito que prega o fim do Banco Central dos EUA e defende o casamento gay porque acha que o Estado não deve se meter na vida conjugal dos cidadãos, conquiste a candidatura. Suas ideias, algumas corretas outras nem tanto, são anticonvencionais demais para um partido que nos últimos anos teve sua agenda sequestrada pela direita mais radical do Tea Party (curiosamente, Rand, um dos cinco filhos de Paul, é um expoente do movimento).

Minha aposta é que Perry não vai além da Carolina do Sul, com Gingrich e Santorum sendo obrigados, então ou não muito depois disso, a decidirem quem continua na disputa e fica com o apoio do outro.

E aí teremos três: Romney, Paul e um conservador mais teimoso à sua escolha, concorrendo até março, quando matematicamente se tornará altamente improvável alcançar o ex-governador de Massachusetts (se ele mantiver o atual ritmo). Parece que com toda a falta de empolgação com Romney e todos os esforços dentro do partido para achar uma alternativa a ele, o discurso da inevitabilidade está colando.

*

Sobre Huntsman, eu o achava um dos sujeitos mais preparados da atual temporada eleitoral. Ex-governador de Utah (com alto índice de aprovação), ex-embaixador na China e uma visão de mundo conservadora sem extremismos (ele não renega o aquecimento global, por exemplo, nem acha que a simulação de afogamento usada para coagir suspeitos de terrorismo em interrogatórios não seja tortura), tinha conquistado o endosso de um jornal respeitável, o "Boston Globe", bem na terra de Romney. Fará falta nos debates.

O Twitter também vai perder suas musas polítcas da atual temporada, as "meninas Huntsman" _as três filhas mais velhas do candidato. Com a conta @Jon2012girls e um humor ácido, tinham mais seguidores do que o pai.

Escrito por Luciana Coelho às 02h46

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